Bem-vindos, nobres espíritos!

Sintam-se em casa em minha humilde morada. Aqui vocês encontrarão alguns de meus loucos textos que ora lhes convido a ler e, se assim desejarem, comentar...

agosto 08, 2009

Carta aos Deuses

De vocês estou farto!
Vil concílio depravo
Escutem meu brado
Não serei mero escravo
Deste vil potentado!


Abrirei minha rota
Não mais mera anedota
Seguirei meu caminho
Com certeza sozinho
Talharei minha história
Será minha a vitória!

E ao final da contenda
Assim termina a lenda
O destino do Lobo
Incurável louco
Esvai-se em sua última oferenda
Conquistando a liberdade
Em troca de tão fútil prenda:

Uma vida envolta em tormenta

Autor: Jarbas Lima Alves da Silva

(O Lobo aguarda pacientemente o dia em que romperá suas correntes e enfrentará seus captores)

julho 13, 2009

Soçobrar

Aqui jaz um cadáver
Que já foi alguém outrora
E a terras distantes
Hoje parte sem mora

Sem nome, sem história
Rebento da noite
Crescido no açoite
Do luar se enamora
Emoção ilusória
Em estilhaços se quebra
Ao torpor se entrega
Desfalece a memória

Do vinho ao veneno
Sorve em busca de alento
A cicuta escarlate
Joga as mágoas ao vento
Faz do discurso dislate
Embriaga-lhe a mente
Deixa pronto ao abate
Bem-estar provisório
Enquanto aguarda sua sorte:


E ao final, só sobra a morte.

Autor: Jarbas Lima Alves da Silva

(Apenas ao descartar a vida é que se aprecia a beleza misericordiosa da mais bela das damas)

junho 13, 2009

2° Prêmio Literário Sérgio Farina

Chega a ser engraçada a ironia das coisas... Logo agora que eu desisti por completo desse meu antes tão amado hobby que é escrever, recebo a notícia de que dois de meus textos foram selecionados para integrar a antologia deste concurso.

O concurso, promovido na cidade de São Leopoldo-RS, tinha como tema "O Cotidiano Urbano ", e contava com categorias para prosa e verso. Dentre os inscritos, parte deles integrariam uma coletânia. Participei com dois textos que já havia disponibilizado no blog (era permitido de acordo com as regras), um para cada categoria:


O Sonho de Uma Vida Real na categoria prosa

e

Fuga na categoria verso


Não fui o vencedor de nenhuma das categorias, mas estou satisfeito em participar do livro, já que essa é a primeira e talvez a última oportunidade que terei de inscrever meu nome nas páginas de um livro de verdade.

E para quem quiser participar de concursos literários em geral, recomendo que busquem a comunidade "Concursos Literários" no orkut. Lá, há informação de praticamente todos os concursos que estão em aberto no Brasil.

Um abraço a quem aparecer por estes lados...

(Tirinha não relacionada com o contexto)

março 02, 2009

FIM

Meus caros, gostaria de dizer que esta é uma breve pausa neste meu espaço tão negligenciado nos últimos tempos, mas não é.

Tudo que tem um começo, tem um fim. Esta é a conclusão de mais um destes ciclos.

Fico feliz por tudo o que se passou... Foi uma experiência e tanto. Também fico feliz pelas tantas pessoas ilustres que conheci graças a este pequeno pedaço do livro de minha vida que resolvi publicar na grande rede. Não os esquecerei...

Obrigado a todos que me visitaram.

E é isto... Sinto muito, mas não tenho palavras bonitas para dizer.

Nada além de um Adeus...


janeiro 11, 2009

O Outro Lado do Arco-Íris

Escrevi este texto para um concurso literário cujo tema era, salvo engano, demonstrar nossa visão do meio ambiente no futuro em uma crônica. O texto vencedor pode ser lido no site do concurso no link anterior.




Não havia nada melhor do que um belo passeio pelas manhãs. Era revigorante comungar com aquela imensidão de verde nos campos, observando o vôo errático, porém suave das borboletas e ouvindo o inebriante canto dos pássaros. Dava quase para sentir o gosto da brisa que usualmente acompanha estes cenários na natureza.

Leandro gostava de usufruir destes passeios com seu melhor amigo, Igor, um garoto russo com quem compartilhava seu costume matinal. Os dois tinham um amor incomum pela natureza, sentimento este que poucos de seus conterrâneos ainda ostentavam.

Uma chuva fina havia há pouco regado a relva, e no céu, resplandecendo ao lado do astro-rei, despontava um magnífico arco-íris coroando a imponente paisagem que vislumbravam.

- Quase que dá pra sentir o cheiro da grama molhada, não é, Igor? – Disse ao amigo.

Também haviam alguns animais por ali - uns pastavam como era o caso de um punhado de cavalos selvagens, enquanto outros repousavam, a exemplo de uma preguiçosa raposa-vermelha que observava com uma certa curiosidade contida aqueles dois filhotes de humanos. Um pouco mais afastada, uma despreocupada família de furões parecia brincar de pega-pega, perdidos no tempo dentro de sua brincadeira e quase destruindo um formigueiro próximo com seu passatempo frenético.

Quem disse que a perfeição não existe, com certeza nunca parou para observar o mundo natural: aquilo era a síntese do inefável.

- O que acha de irmos em direção àquelas montanh...

Antes que Leandro pudesse terminar aquela frase, um longo bip o interrompeu, seguido de uma mensagem em texto de cor verde-limão que percorreu o canto inferior direito de seus olhos. Ela dizia “Tempo Esgotado”.

- Desculpe, amigo, mas eu preciso ir... Meu tempo está acabando. Amanhã nos encontramos aqui no mesmo horário!

Mal o garoto terminou de se despedir e a antes bela visão dos campos que se estendiam para muito além do horizonte gradualmente se tornaram opacas até sumirem por completo. A vicejante natureza havia dado lugar ao breu imperscrutável e ao silêncio absoluto.

- Gostou do passeio? – Perguntou com sua voz metalizada o robô responsável pelo local enquanto ajudava Leandro a retirar seu capacete de realidade virtual.

- Ah, sim. Gostei. Gostei muito. – E ele foi sincero, apesar de sua voz não demonstrar qualquer indício de entusiasmo.

Apenas graças ao grande poder de processamento dos supercomputadores do local – uma espécie de “lan house” para ambientações 3D - é que era possível participar de uma simulação tão detalhada em tempo real. Os computadores pessoais da época não conseguiriam acessar um mundo persistente tão meticuloso e vasto quanto aquele; uma imitação quase perfeita, exceto pelo fato de que a ilusão engana apenas os olhos, mas não os outros sentidos do observador. Era uma bela imagem, mas carecia de alma, da paixão da qual são imbuídas todas as coisas criadas com amor - sejam quadros, sejam esculturas, sejam as próprias criaturas da Terra.

Ainda assim, esse era o substituto mais adequado à experiência real de que dispunham, já que os parques, além de muito pequenos, eram quase tão raros quanto as próprias florestas - e destas, as únicas que sobraram tiveram seu acesso vetado a qualquer humano independente do motivo, uma tardia tentativa de proteger o que outrora tão avidamente depredamos.

Leandro saiu daquele “cyber parque” rumo à sua casa, e enquanto atravessava a cidade observava atento a paisagem. O aço e o concreto dominavam o cenário com cores monocromáticas e frias. A névoa permanente era o resultado da extensiva poluição de décadas e sua presença bloqueava boa parte dos raios solares, motivo pelo qual ninguém saía de suas casas senão por estrita necessidade.

A cidade parecia estar de luto, e a sinfonia caótica de buzinas e motores – ironicamente o único sinal de vida naquela paisagem morta - fazia as vezes de uma marcha fúnebre. A chuva ácida escorria dos céus em profusão como as lágrimas de uma mãe que acabou de perder um filho - o planeta chorava.

O garoto conhecia bem esta cena, mas mesmo acostumado tal visão sempre lhe despertava um estranho sentimento que ele não conseguia classificar, algo próximo a uma mistura de saudade e melancolia.

É curioso e triste sentir nostalgia por algo que sequer chegamos a conhecer...




(A Grande Floresta de Concreto a tudo engolirá com sua insaciável fúria expansionista)