Bem-vindos, nobres espíritos!

Sintam-se em casa em minha humilde morada. Aqui vocês encontrarão alguns de meus loucos textos que ora lhes convido a ler e, se assim desejarem, comentar...

outubro 24, 2008

Sem Nome

Mais um poema que dediquei, com carinho, à minha musa, que permanecerá inominada.


Perdido na imensidão de teu ser
Me afogo em ternuras distantes
Naufrago no oceano galante
Porém sem jamais esquecer
O suplício constante
Que é te querer

Mas persisto na nobre empreitada
Pois a vida sem você
Não vale nada...

Autor: Jarbas Lima Alves da Silva


(Não pode pretender conquistar a sereia o covarde que reluta em arrisca a vida)

outubro 16, 2008

Sonho de uma Vida Real

Mais um estranho pesadelo. Já era o segundo só esta semana, e ela mal havia começado.


Comecei minha jornada onírica em meio a uma floresta de concreto, ornamentada com um padrão repetitivo de cores frias, quase mortas. Enormes àrvores ocas de argamassa e aço se erguiam à minha volta - um lembrete de minha própria insignificância dentro daquele reino.

Andei durante algum tempo, logo me cansando pela inalação da névoa densa que me cercava – um ar viscoso e pegajoso, quase sólido e de cor escura, que ao aspirar causava grande incômodo às narinas em troca de pouco sustento para os pulmões.

Parei ao encontrar um aglomerado de macacos sem pêlo, todos catatônicos, entorpecidos por algum motivo obscuro. O silêncio só era quebrado pela balbúrdia de um contínuo estouro de enormes e estranhos animais nas cercanias.

Então, um destes animais – desprovido de pelagem e com uma carapaça dura como metal - parou diante do grupo, aparentemente convidando-nos a nos deixar levar por ele. Nos acomodamos em seu lombo onde já aguardavam outros destes apáticos símios, e o estranho ser partiu.

Paramos em uma gigantesca árvore de concreto oca, onde rapidamente entrei com meus companheiros babuínos.

Fica difícil, após este ponto, relembrar exatamente dos eventos que se sucederam – afinal, a passagem do tempo não segue uma estrutura fixa no reino de Morfeu – mas sei, de uma maneira geral, que esta foi a pior parte do sonho: junto com os macacos que me acompanharam, realizei diversas tarefas que lembro ter desempenhado anteriormente – todas repetitivas, tediosas e, se bem me recordo, sem qualquer finalidade prática.

Uma lenta e excruciante tortura do começo ao fim.



Então, depois de muito tempo, pareço ter feito o caminho inverso de volta ao local onde comecei a sonhar e, cansado, fecho os olhos para finalmente me libertar desta terrível jornada.

Esta é a rotina que me acompanha por toda existência. Meu único sonho, meu eterno pesadelo recorrente.


Ao menos, ao final, sempre alcanço a redenção: meu triunfal retorno à realidade, que afasta o gosto amargo de meus dissabores oníricos.

É nela em que posso, finalmente, voar como um pássaro, salvar o mundo como um super-herói, acreditar na existência do amor – enfim, simplesmente ser feliz.


Autor: Jarbas Lima Alves da Silva


(Sonho e Realidade são duas faces da mesma moeda)

outubro 11, 2008

Banquete

Mais um poema... Reflexo, talvez, do estilhaço de algo que se partiu.



Desde que provei tua receita
Acomete-me a fome de amor
Mas o banquete me foi negado
E enxotado, tornei-me errante
Na eterna busca inconstante
Do teu maravilhoso sabor



Autor: Jarbas Lima Alves da Silva


(A tristeza é natural, mas nem por isso é fácil de aceitar)

outubro 09, 2008

Chico Moeda

"Pensando no consumismo desenfreado que assola nossa sociedade, resolvi escrever um mini-conto que retrata como as pessas se avaliam nesse admirável novo mundo onde a moral é ditada pelo capital"


Para ele, tudo possuía um valor monetário. Vidas, mortes, idéias, sonhos, amizades, amores... Não havia coisa que não pudesse tornar valiosa com uma calculadora em mãos.

Um dia, seu amigo lhe perguntou:

- E você, Chico, quanto vale?


A conta em si era simples: bastava pegar tudo aquilo que a pessoa tinha o potencial para ser e dividir por aquilo que ela efetivamente era.

O homem pensou, multiplicou, dividiu, achou o “x”, cancelou o “y”, dividiu por “z”, fatorou... Verdadeira orgia numérica.


Finalmente chegou ao resultado: o visor de sua calculadora pulsava com os dizeres “Impossível dividir por zero”.

Autor: Jarbas Lima Alves da Silva

(O valor de alguém não pode ser mensurado em moeda ou palavras, apenas por ações)

outubro 05, 2008

Vida Seca

Como não muitos perceberam, eu abandonei meu blog. Os motivos são variados e renderiam um post próprio, mas eu francamente não creio que seja algo relevante o suficiente pra colocar na internet.

Mas a consequência é que eu pretendia abandonar o blog - e de fato o fiz, pelo menos por algum tempo. Mesmo determinado a não mais postar, eu relutava em deletá-lo.

Não sei bem o motivo, mas eu adiava a decisão de destruir esse pequeno espaço que posso chamar de "meu" na orgia caótica da internet. Até que hoje, resolvi ressuscitá-lo... E pra isso, trago a vocês algo que escrevi que descreve um pouco do meu atual estado de espírito.


Acordou. Levantou, escovou, se banhou, lanchou, trabalhou, almoçou, descansou, retomou, terminou, comemorou, se embebedou, jantou e se deitou.

Repetiu.


De novo;

e de novo e de novo;

e de novo e de novo e de novo...


Até que morreu.


Só então percebeu: viveu uma vida repleta de verbos sem nunca ter provado o doce gosto de um adjetivo.

Autor: Jarbas Lima Alves da Silva


(É curiosa a ironia: a mesma mão que constrói erige as barreiras que nos separam)


No momento estou ocupado estudando para a OAB, mas aos poucos vou voltar ao mundo da blogosfera. Peço desculpas - não sei exatamente a quem, que as aceitem quem achar necessário - pela minha ausência.