Bem-vindos, nobres espíritos!

Sintam-se em casa em minha humilde morada. Aqui vocês encontrarão alguns de meus loucos textos que ora lhes convido a ler e, se assim desejarem, comentar...

fevereiro 22, 2008

A dor de Amor

Um poema, uma infeliz verdade...


Sinto muito em dizer, meu senhor
Mas não há cura conhecida
Para aquela ferida
Ardida e sofrida
Da flecha do Amor

Autor: Jarbas Lima Alves da Silva

fevereiro 17, 2008

Republicação - A Sina de Juan

Estou republicando este poema porque não tive acesso a um pc neste final de semana, e estou sem tempo de criar um post do zero. Aliás, eu to sem tempo pra nada.

Don Juan é o nome do lendário libertino responsável por seduzir um incontável número de mulheres em satisfação à sua lascívia. Tal personagem, retratado por diversos autores, possui tanta popularidade que seu nome se tornou um adjetivo para o comportamento dos “mulherengos” em geral.

Este poema que deixo aqui é baseado em uma peça que na verdade nunca assisti, mas cuja existência me inspirou a escrevê-lo. A peça se chama “Don Juan in Hell” (Don Juan no Inferno), e descreve, segundo informações do site, o que acontece com Don Juan após sua descida ao Inferno...


Don Juan, por onde andas?
Tuas conquistas, tuas amas
Clamam juntas por teu amor
Mas certo é que teu ardor
Se pra uma queima, noutra se apaga
E assim carrega tua chaga
De eterno conquistador

Don Juan, por onde andas?
Quem cá chama é teu amor
Este, garanto, é verdadeiro
Nada tem de aventureiro
Como um sem número ao teu redor
Mas certo é, o Tempo clama
Fugaz se torna a tua chama
E logo busca noutra dama
A panacéia da tua dor

Dias passam noite adentro
Sempre em claro, sempre ardendo
Às jovens sobra o desalento
De servir como sustento
À lascívia, de fomento
Simulacro de um amor

E ao final, acaba a história
De conquistas e vitórias
Sobra apenas a memória
Do eterno sedutor

Eis então, a ironia
No Inferno lhe sorria
Uma jovem – quem seria?
Não importa, não a amou

Ouviu isso de tua boca
Que outrora, desejou
E a bela dama , triste e rouca
Por tais palavras chorou...

Desdenhaste a quem te amaste
Por tolo papel passaste!
Teu harém cá não te persegue
Tua amada te tem por jegue!

Pega logo a vestimenta
De bobo da corte, e se contenta
Pois no Inferno somos atores
De passadas vidas e dores
E pra ti o bobo da corte
Sairá melhor que a encomenda!
- Diz o Diabo em reprimenda

E qual moral disso extraímos?
Talvez que os jovens libertinos
Não tardam a cair no abismo
Que os próprios escavaram
Com tão fútil escapismo...

Autor: Jarbas Lima Alves da Silva

("A Morte de Don Juan", de Charles Ricketts, exposto na Galeria TATE da Inglaterra).

fevereiro 05, 2008

Paz Preventiva

Hoje, eu tirei o dia pra pensar... Pensar sobre a vida e todas essas coisas chatas que a acompanham. As conclusões vou ficar devendo... Aprendi que não devemos abrir nossa boca se não temos algo de bom pra falar, então melhor ficar silente. Assim, deixo este pequeno texto de mensagem positiva em lugar de meus íntimos pensamentos.




Certa vez, um homem estava ensinando ao seu filho algumas importantes lições sobre a história da humanidade, enaltecendo os feitos militares de seus antepassados e a evolução de seu povo.

No entanto, o jovem, intrigado, não conseguia enxergar este ciclo da mesma maneira que seu pai. Então, para dirimir suas dúvidas, o garoto começou a indagá-lo:

- Pai, por que, para nos tornarmos grandes, precisamos destruir aqueles que antes chamávamos de irmãos?

- É simples, filho. Alguns homens, ao longo de suas vidas, se desviam do Caminho. É uma pena, mas esta é a dinâmica da vida... E cabe a nós, fiéis seguidores da Ordem, detê-los através da força se necessário. Desta forma, purificamos a humanidade da raiz que traz o mal às nossas almas.

Não satisfeito com a resposta, o garoto voltou a inquirir seu progenitor:

- Então, os homens matam outros homens porque eles escolheram o caminho errado?

- Exatamente, meu filho... Uma morte é sempre um acontecimento trágico, mas ela nem sempre pode ser evitada.

- Pai... se eu sair do Caminho, o senhor também vai me matar?

- Não seja tolo, meu filho! É claro que não... A função de um pai é educar seus rebentos para que se tornem pessoas decentes, e não desistimos desta tarefa enquanto o sopro da vida insuflar nosso coração!

- O senhor diz que teria compaixão daqueles que são seus parentes de sangue, e tentaria reverter a situação, independente da dificuldade... Mas os laços de afinidade não deveriam abranger todos aqueles que chamamos de irmãos pelos laços raciais que nos unem? Se existe essa esperança na recuperação de um filho, porque ignoramos esta possibilidade quando se trata de um irmão?

- É para nossa própria proteção, filho. Se permitimos que eles andem livres por aí, em breve marcharão até nossos quintais, estuprando nossas mulheres e assassinando nossas crianças...

Confuso pelas respostas, o garoto meditou por algum tempo, e finalmente indagou seu pai:

- Se alguém sai do Caminho, e não enxerga outra trilha a não ser aquela que decidiu percorrer, não seria nosso dever demonstrar aos nossos pares o erro de suas decisões, tentando ao máximo trazê-los novamente à razão? E não é pela compaixão, compreensão e paciência que nossas súplicas adquirem idoneidade, sendo mais passíveis de serem aceitas do que argumentos que se iniciam no cano de uma arma?

- E porque nos ouviriam? Além disso, se eles possuem armas, não seria sensato atacarmos antes mesmo deles terem a chance de fazê-lo?

- Mas pai... Pensaste que talvez teus adversários pensem da mesma forma? Será que em toda a história da humanidade os dois lados nunca se sentaram para conversar?

- Isso é loucura! Nunca daria certo!

- Vocês já tentaram?


Aqueles que enaltecem as maldades encontram diversas justificativas para seus atos, definindo como loucura atitudes análogas que não lhes trazem benefícios diretos.

Autor: Jarbas Lima Alves da Silva

(Memorial de Viena contra a Guerra e o Fascismo)

fevereiro 03, 2008

O Grande Momento da Vida

Um poema, uma oração e um prognóstico. O título é uma homenagem.





Estou Vivo!
Corre o sangue pelas minhas veias
E a doce brisa matinal acaricia minha alma

Estou Vivo!
Corro com meus irmãos nos campos
Com a felicidade pueril dos primitivos

Estou Vivo!
Provo o doce néctar das frutas
E observo a beleza inefável das flores

Estou Vivo...
O tempo cobra seu quinhão
Já não mais vejo beleza ao meu redor

Estou Vivo...
O colorido se torna cinza
E o coro das crianças, uma marcha fúnebre

Estou Vivo?
Carrego o pesado fardo
Daqueles que sabem estar presos na jaula do Destino

Estou Vivo...?
Aguardo pacientemente
O inevitável Fim que tudo abarca

E é no derradeiro momento
Que recebo a dádiva da felicidade
...Estou Morto

Autor: Jarbas Lima Alves da Silva

(Nossas vidas não são mais que suspiros fugazes na cósmica Eternidade)

fevereiro 01, 2008

Republicação - Duelo dos Deuses

Todo poeta ou escritor, ainda que amador como eu, almeja por aquele indescritível lampejo de criatividade, aquela centelha de inspiração que lhe permitirá envolver em volúpias gráficas o virginal papel.


Durante a história de nossa raça, muitos foram aqueles que afirmaram possuir uma entidade responsável por lhes inspirar, por lhes insuflar os corações com o vigor criativo necessário para a produção de suas belas obras.

Ainda que eu não crie obras notáveis como tantos mestres que me precederam, mesmo eu possuo minha musa, aquela responsável por guiar minha pena com seu divino sopro inspirador. E à esta musa, minha Calíope pessoal, cujo nome não será aqui por mim desvendado - e para tanto alterei um nome desta história - dediquei esta obra, já que ela me inspirou em sua feitura.


...e os deuses não conseguiam concordar. A contenda atingiu tamanhas proporções, que decidiram resolver quem estaria com a razão através de um duelo.

- Vão, e tragam aquilo que possuir a maior beleza em toda Midgard. Aquele que trouxer o mais belo dos bens será o vencedor. - Disse Wotan, o Caolho.

E ao seu comando, os deuses partiram.

Passado algum tempo, os deuses retornaram. O primeiro a se apresentar fora Loki, e por isso ganhou ele o direito de falar antes de todos.

- Poderoso Odin, trago-lhe aquilo que desperta a maior ambição entre os homens e anões: o ouro, cuja beleza resplandecente cega até o espírito dos mais fortes.

- Belas são estas fortunas, e decerto trazem alento ao coração de seus donos. Mas sua beleza desaparece tão logo a cobiça se espalha pelo espírito, e traz o Caos às almas dos incautos - Replicou Odin - Diz tu, bravo Thor, qual foste a beleza que trouxeste?

- Poderoso Pai, trago diante de ti toda a beleza do mais belo dos animais de sacrifício. Este majestoso boi branco, cuja linhagem descende da sagrada Audumbla, não apenas demonstra beleza em sua aparência, mas também em sua função na terra: a de louvar os deuses com sua vida, e de alimentar os humanos com sua carne. Não há, portanto, maior beleza, pois este altivo animal ora sustenta os pilares da honra ao divino, ora abastece os próprios homens com sua força vital.

Odin analisou o boi com cuidado, e finalmente proferiu sua sentença:

- Certamente belo é o animal, e ainda mais belo é o seu destino. Porém, não passa de uma qualidade fugaz, um lapso se considerarmos que a ação responsável por alçar às alturas sua beleza é a mesma que ceifa sua vida, entregando tudo ao esquecimento. Mostra, agora, teu avatar da beleza, Bragi, e honra teu nome como senhor dos poetas!

- Meu senhor, trago diante de vós aquele que é o mais belo de todos os seres, e todos hão de comigo concordar. Pois eis aqui a mais bela das criações, cujo vislumbre arranca suspiros até dos mais gélidos corações. Não há nesta terra homem, anão, elfo, Vanir, Aesir ou Gigante que não lhe dedique belos pensamentos ao fitá-la. Falo da beleza impassível das belas damas que habitam Midgard, responsáveis pela própria dinâmica de toda existência. E não é nas suas nobres senhoras que os poetas buscam inspiração para criar suas mais estimadas obras? E não é por elas que tanto homens quanto deuses se lançam ao conflito, a exemplo do risco que correram Thor e Loki para não expor a bela Freya ao perigo nas garras do gigante Thrym? E não é, finalmente, de seu ventre que nasce a Vida, dando continuidade ao ciclo eterno que permite a nós apreciarmos o que há de extraordinário na Existência? Pois seu semblante reflete toda a sabedoria daquilo que existe, e mesmo um tolo declamará: não há, em qualquer dos nove mundos, ser mais belo que este.

Os deuses, admirados com as palavras do mestre dos bardos, começaram a ovacioná-lo em aprovação. Todos, à exceção de Loki, que prontamente interrompeu a solenidade, indagando o deus com escárnio na frente de todos:

- Bonitas são as palavras de Bragi, e merecido é seu título de senhor dos poetas. Porém, de que adiantam belas palavras, se de mãos vazias aparece o deus diante do mais sábio dentre os sábios? Se existe a beleza suprema que tu declamas, não sejas ganancioso. Mostre-a para nós! Não prive teus irmãos de tão bela visão!

E Odin, em sinal de aprovação, fitou os olhos de Bragi, como que incitando o deus a replicar os comentários maldosos do deus da trapaça.

- Certamente, não seria capaz de tamanho despautério! Desci até os reinos inferiores, e aqui não retornei de mãos vazias. É que a beleza que lhes trago é tão fulgurante, que certamente entorpeceria os sentidos daqueles que a vissem, tornando inútil discursar depois de a vós apresentá-la. Eis, aqui, a bela Vecantha! Mirem sua beleza, e digam se não tenho razão em meus declames!

E ao proclamar estas palavras, uma figura encapuzada surgiu no meio da sala, antes desapercebida no meio da multidão. Ela retirou seu capucho, revelando uma beleza ainda maior do que aquela por Bragi preconizada - e nem poderia ser diferente, pois ainda que proclamados pelo mestre das palavras, quaisquer elogios seriam insuficientes para descrever aquilo que mesmeriza até aos deuses. A pele alva e os cabelos sedosos contrastavam com a formosura de seu semblante, de tal sorte que até mesmo Freya, diva da beleza, enrubesceu diante da bela humana.

O silêncio que tomou o lugar custou a ser quebrado, mas nele, foi dito muito mais do que quaisquer palavras poderiam fazê-lo: que Bragi era, por unanimidade, o vencedor.


Autor: Jarbas Lima Alves da Silva

(Figura de uma Valquíria)


(Decidi republicá-lo porque faz tempo que não dou update aqui, mas to sem tempo pra criar um post do zero agora...)