Bem-vindos, nobres espíritos!

Sintam-se em casa em minha humilde morada. Aqui vocês encontrarão alguns de meus loucos textos que ora lhes convido a ler e, se assim desejarem, comentar...

janeiro 07, 2008

Me formei em Direito! E agora...?

...agora, meu amigo, você senta e chora... E se você não sabe o motivo, leia o pequeno texto que escrevi abaixo. Ele sintetiza tudo o que eu estou sentindo neste exato momento. Já adianto em minha defesa: há uma alta dose de ironia e sarcasmo no texto.
(Temis, deusa grega da justiça e maior vítima do direito atual. Parafraseando Tobias Barreto, eis nossa justiça, não mais peituda e vendada, mas sim, peitada e vendida...)

Aviso: Os links de notas de rodapé estão quebrados. Depois eu arrumo... Se quiserem, abram duas janelas e olhem as notas do texto em uma delas...


- Finalmente, livre!

É o que gritava o espírito do recém-formado bacharel em direito. Já sua mente, um pouco menos polida, urrava em alto e bom som “Acabou essa merda! Hahahaha!”. E não poderia ter sido outra sua reação, afinal, os longos e tortuosos 5 anos de extrema labuta acadêmica – e nas horas vagas, etílica – haviam por fim acabado, e ele finalmente se tornara...

O que ele se tornara mesmo? Ah, sim... um bacharel... em direito.

Viva......

A euforia inicial o abandonara. O súbito choque de realidade esvaziara seu ânimo tão rapidamente quanto um universitário o faria com sua caneca1 de chopp. E só lhe restava agora a ressaca dos recém-formados, pois no fundo ele sabia que apenas no direito ocorre um fenômeno curioso após o término da faculdade: o recém-formado torna-se, com sua conquista, menos do que era antes.

O conceito lhes parece estranho? Permita-me explicar.

Após a dura batalha pela sobrevivência universitária e escraviária2, o recém-formado na secular profissão jurídica sente como se a faculdade lhe desse um tapinha de “boa sorte” nas costas, enquanto lhe aplica o fatídico “pé na bunda” que o introduzirá no selvagem mercado jurídico de trabalho.

Confuso, o recém-enxotado em direito, após as cerimônias de encerramento de praxe, se dirige ao seu antigo emprego, onde é informado por um comunicado de seus chefes que, “apesar do notável esforço e comprometimento do estagiário com seu serviço, o escritório não está preparado para receber mais um membro em seus quadros já inchados em virtude da estagnação do mercado, e, infeliz e lamentavelmente, não será possível sua manutenção no rol dos escraviá estagiários da empresa”3. E o mais engraçado é que, no dia seguinte, o recém-desempregado sempre descobre pela fofoca nos egroups que o filho do melhor amigo do dono do escritório acabou de ser promovido de estagiário a advogado-sócio de fato4, e seu irmão menor tomou sua antiga vaga no setor de “duplicação de documentos e protocolo de emergência”5 – sendo, é claro, rapidamente promovido para a chefia do local em tempo recorde.

Quanto aos estagiários que trabalham arduamente6 na rede pública, estes sequer se preocupam com tais problemas... Nenhum deles precisa ser um detetive pra saber de antemão por quem, quando, e como serão sumariamente exonerados de seus cargos - “Foi o departamento de RH - no fim do contrato - com o comunicado interno”.

Então, o que acontece é que não importa se você trabalhava no Tossano, no Adeverest, no Eucalipto Neto ou em qualquer órgão público... A questão é que você VAI ser um desempregado, e ponto final!

“Bem, mas eu tenho UM DIPLOMA! Eu sou FORMADO!”

Clap, clap, clap... Parabéns, campeão! Só que não te explicaram uma coisinha mínima...

UM BACHAREL EM DIREITO NÃO PODE FAZER ABSOLUTAMENTE NADA7! Zero, nada, niet!

É isso aí, amigão... Quer prestar um concurso público? Já imaginou? Defensor Público, Promotor de Justiça, Magistrado, Procurador... Bons salários, dá pra comprar aquele carrão que você sempre quis, encher ele de loiras – quentes e geladas – ou curtir aquela viagem com tudo caro – não errei na grafia – em um cruzeiro pela Europa8. Ótimo... Mas... Ah, que pena, não tem OAB? Precisa, né... Hey, mas não fique triste, eu fiquei sabendo que tá abrindo um concurso ótimo pra escrevente do Tribunal de Justiça...

Quer advogar? Bem, você pode... Aliás, se quiser, pode inclusive se inscrever no convênio da Defensoria Pública que eles arrumam causas pra você! Moleza, hein? Não precisa nem correr atrás... A famosa tática "Maomé"9.

Só tem uma coisinha, uma exigenciazinha boba... Precisa de OAB!

É isso camarada, O-A-B! Não, isso não é um absorvente feminino... É um pedacinho de plástico que te classifica como advogado. Como arrumar? É simples, é só fazer uma provinha com a matéria de TODO o seu curso.

Isso mesmo, eu disse TODO O CURSO!

...achou que ia se livrar dos debêntures e das enfiteuses? Pois é, a vida não é só feita de Alegações Finais, amigão.

E se você acha que vai se livrar disso simplesmente alegando que nunca vai advogar na área cível, pense novamente. Aliás, você é um malandro. É o tipo de cara que pediria aprovação compulsória em Matemática no colégio devido à difusão em larga escala de calculadoras a preços módicos10. O senhor é um fanfarrão!

Enfim, essa é a realidade do bacharel em direito: um cara que, em contraste com sua vida anterior, não tem mais emprego, não pode exercer a profissão pra qual estudou durante 5 longos anos (ou mais) de sua vida, não paga mais meia no cinema, não tem direito a passe escolar pra ônibus e metrô...

Como diria a inscrição nos portões infernais de Dante:

“Aqueles que aqui entrarem, percam as esperanças”

Então, pra você, que achou que fazendo direito iria sair da faculdade dirigindo um Aston Martin com uma loiraça do lado – e possivelmente uma morena e uma ruiva no banco de trás – ou, no caso das mulheres, que você seria a loira “tunada”11 no volante de um, e que sua vida se resumiria a praia, cerveja e muita curtição, sou forçado a lhe informar o seguinte:



Você caiu na pegadinha do direito! Ráaaaaaa!


(Se você não faz direito e por isso não entendeu, assista esse video curto que ele é bem explicativo)


1É fato conhecido que a caneca-média do universitário brasileiro contém, no mínimo, 500ml de volume, prorrogáveis por mais 500 – e certamente repetíveis por tantas vezes quanto sua carteira (e eventualmente, a de seus colegas) permitirem. Meio como a CPMF: já que o povo está pagando, manda descer mais uma!

2“Escravo” é um sinônimo para a expressão moderna “estagiário”, que em síntese significa “aquele que tira xerox a preços acessíveis”. Juridicamente ele é conhecido pelo termo “bem semovente”.

3Curiosamente, tais comunicados normalmente vêm acompanhados da contratação de uma grande remessa de novos semoventes, ávidos por demonstrar serviço “furando os olhos” dos seus colegas-competidores.

4“Ora, mas ele não tem OAB!”, vocês poderiam pensar... Sim, mas isso realmente importa? Tudo se resume a distribuição de trabalho e distribuição de dinheiro. O resto são meras formalidades para agradar o papel – formalidades que podem muito bem ser omitidas...

5Vulgarmente conhecido como “xerox e fórum”.

6Pelo menos, é o que eles dizem... com ênfase e tudo mais.

7Peraí, nós podemos fazer HCs! Quem quiser, estou montando uma empresa só de HCs: a “HC Moleza”.

8Se você se casar, troque tudo por “conseguir custear seus filhos e parte contrária sem recorrer (muito) ao dinheiro de agiotas...”

9“Se Maomé não vai até a montanha, a montanha vai até Maomé”. Agora, fiquem avisados: vocês vão ganhar bem “maomenos” fazendo isso...

10Já pensou em tentar seguir carreira criminal?

11A técnica da troca dos pneuzinhos por equivalentes menores e a inclusão de airbags duplos são opcionais populares entre as garotas bem-sucedidas no meio jurídico, e em certos locais, requisito essencial para a promoção no trabalho.

51 comentários:

Geoblog disse...

CAra, muito bom seu texto! Fora de série. Pô... o videozinho do final é show.

E pra completar to quase no mesmo drama. Formo nesse semestre, trabalho em órgão público. Graças não tenho que fazer prova do CREA... por enquanto... o negócio é formar e ver o que pega.

Como diz um amigo meu:

Deixar de ser o futuro do Brasil pra ser realidade nacional.

É osso.

Abraços.

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ArcView, ArcGIS, ESRI

Gis Help

Casa em Itacaré

World Cup In Brazil 2014 - FIFA

César Fernández disse...

o cara do vídeo tava falando algum idioma que ele aprendeu vendo Guerra nas Estrelas.

Pan ßox disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pan ßox disse...

Tá, bem, todo mundo sabe que diploma de direito sem OAB é nada.
São ossos do oficio escolhido né. Eu pelo menos nunca vi uma pessoa que tenha escolhido uma profissão sem ver prós e contras.

Enfim, eu ia fazer direito, mas graças a alguma divindade eu mudei de ideia.

sweet disse...

hey!!

pelo amor de Deus!

kkk
naum é srta pirata eu disse q o blog naum é meu okay?


é um cara q escreve monta o blog eu só divulgo pq naum tenho nada pra fazer!

kkkkk


até +

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Bárbara Chantal disse...

Que humor, adorei!
Não segui pelo caminho da advocacia, mas tenho meu canecão!
Todo universitário tem um! Básico.

Links & Sites - Seleção dos Melhores Sites do Brasil! - disse...

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Psicopata disse...

Cara!! Simmm você tem razão... isso é realmente uma merda, saber que esta formado e não pode fazer nada... eu, ainda no 5 semestre tenhu algum feijão pra comer antes de chegar na OAB.... Mas é isso ai, não tem escapatoria, dessa forma, vamos aos caros cursinhos preparatórios que custam mais que a faculdade por mes.
Mas como alguem falou, já sabiamos da AOB quando decidimos seguir essa carreira...
Ao menos pra mim, a OAB não vai ser tão importante, pretendo seguir carreira diplomatica, o problema é passar no Instituto Rio Branco, infinitamente mais dificil que a OAB...
Abraço, e compartilho sua revolta!

Anônimo disse...

Tô nesse DRAMA 10º péríodo e eis que de repente "me pergunto:- E agora Sô Dotô. E estou perdido igual cego em tiroteio; mas me encontrarei e quando estiver por cima da "carne seca" (se eu conseguir), vou comer, todas as peitudas e ainda rir do seu Blog de Merda.

Cara... Você sabe como sacanear um "Bacharel em Direito".

Andressa Ribeiro disse...

Que tristeza esse é meu atual dilema, o que eu sou agora? Nada.
Fiquei pior ainda quando li o seu blog.
OAB desgraçada

Anônimo disse...

Triste realidade. Pobre bacharel.
Quem tem juizo perfeito, não enfrenta esse martírio, faz um outro curso. Fazer direito é dar dinheiro para a faculdade. Do jeito que as coisas anda, o dinheiro investido, voçe não conseguirá recuperar, nunca.]
Tenho um grande arrependimento te ter passado por esse vexame.
Exame de ordem "uma cruz para os bacharéis", caixa 2 da OAB e cursinhos particulares.

Anônimo disse...

Depois de um bom tempo vc deve ter aprendido q é só estudar. E que um escrivão da Justiça Federal, Eleitoral, Penal Militar e tantos outros cargos, são exclusivos de formados em direito (i.e. não precisa de oab). Ou seja, vai estudar que vc passa na oab e num desses concursos.

P.S. sei q to desenterrando os comments, mas gostei do seu texto.

rodrigo disse...

quem esta na chuva é pra se molhar, quer ser juiz, promotor, advogado, delegado etc, tem que sacrificar...estudar é fundamental, concursos da magistratura, mp e outros sao bem mais dificeis que o da oab...vcs tem que amar o direito, se entregar, ir a faculdade apenas para beber e farrear, fatalmente vao chorar e reclamar do exame de ordem e dos concursos....abraços

Anônimo disse...

Li e fiquei ainda mais mal.. Se pudesse voltar o tempo jamais faria "Direito". Depois de muito consegui cursar a faculdade com muito sofrimento, qdo começei minha 2ª filha tinha dois meses, isso mesmo, já começei tarde porque sempre me faltou condições financeiras. Meus pais? Pai pedreiro e mãe faxineira...mole nê? Sei o que é trabalhar desde os 8 anos de idade. Era a melhor da minha sala, só 9 e 10...agora adi8vinha? Estou formada a 1 ano e meio, estou indo pra minha 4ª prova, passo na primeira e empaco na 2ª, desespero total, cobrança familiar, acabei com meu pequeno comércio p pagar a merda da faculdade...enfim... totalmente desmpregada c 38 anos e vendo que o sonho dos meus pobres pais em ver uma filha Drª tá se tornando um parto!!! O que estou sentindo???? Não dá pra demonstrar, nem consigo achar as palavras corretas.. Deus, Deus, onde está que não mudo o rumo dessa história, quem sabe fechar todas as faculdades de Direito, pelo menos não ficam mais roubando o dinheiro alheio... Nem o português me preocupa nessa hora, quero que vá tudo a M.... To no meu limite!!!

Anônimo disse...

pior que é verdade... o qq eu tava pensando qnd decidi fazer direito? não quero ser advogada e não tenho vontade de fazer a oab... to fazendo direito pq msm? mas agora ja to no 9º semestre.. vo terminar né!! vi comentários de gente falando q é só estudar q passa na oab.. é tão facil falar né, quem não vive esse drama acha q é super simples.. quem me dera! adorei seu post, mto bom!

Anônimo disse...

Pelo que vejo, todos vocês não serão nada na vida, estudo direito para ser o melhor, e não mais um arroz e feijão!

Anônimo disse...

É isso mesmo, você conseguiu expressar tudo que eu também sinto. Me formei fazem três anos e o que sou até agora? Nada! Porque se vc não tem a O-A-B você não é nada mesmo!!!

ja disse...

Iniciei o curso em 2007, casada com uma filhinha que me acompanhou diversas vezes até mesmo em provas,contudo aos 39 anos de idade, dia 08/01/12 colei grau e o mais legal já aprovada na OAB, pois fiz a prova em 04/12/11 e passei. Escolhi penal pois sempre gostei da matéria, mas se passei foi porque eu disse pra mim mesma:

Vou fazer o difícil e o impossível é com DEUS!!

Enfim, derrubei o gigante!!!

Por isso, colegas não desanimem e acreditem em vocês. Afinal, críticas e palavras que nos empurram pra baixo qualquer pessoa profere, todavia, Deus sempre está pronto para nos levantar e mostrar o caminho a seguir.

O curso é apaixonante, a carreira não tão cheia de glamour como alguns imaginam, mas valeu a pena, cada um de nós trilhou o caminho árduo e agora, passar de bacharel à advogado é apenas uma questão de determinação e fé em DEUS!!

Boa sorte a todos

Jane R M Ameno

bebelf disse...

A dificuldade nunca acaba.. eu sou formada e recem aprovada na OAB.. e daí??? ainda to quebrando a cabeça..

Anônimo disse...

Bom, meu caminho não é esse da advocacia mas. gostei do texto . Na vida sempre teremos desafios, e sempre terá aquelas pessoas que iram dizer que não iremos conseguir. Sei o grau da dificuldade de uma prova da OAB mas, primeiro não podemos deixar ninguém nos rebaixar, humilhar, dizer que não vamos conseguir. Temos que mostra a nossa competência e passar por cima disso tudo, seja quantas vezes precisar. É horrível, quando alguém chega para gente e diz que essa não é sua área, que você não serve para isso. E se nós dizermos isso, para nós mesmo a batalha e a guerra serão perdidas. TEMOS QUE ENFRENTAR ADVERSIDADE E CONQUISTAR NOSSAS METAS, E CALAR TODAS AQUELAS PESSOAS QUE DISSERAM QUE NÃO IRIAMOS CONSEGUIR, COM A NOSSA VITÓRIA!

Anônimo disse...

Do que adianta ter OAB e ganhar super mal. To formado e cursando engenharia. Vamos ganhar dinheiro. Adeus pobreza e uma vida de noites em claro, fins de semana inteiros perdidos e incertezas para ganhar um salário miserável sem benefíficos. Boa sorte caros colegas autonônomos. O último a sair apaga a luz.

Anônimo disse...

Autônomos**

Anônimo disse...

formei em Direito e passei por essa fase critica. E o pior que em entrevista de emprego, quando vc menciona que é formado nessa área, acabou suas chances de uma colocação no mercado de trabalho. A psicologa pergunta:"Mas, pq vc não exerce sua profisssão?". É o fim de sua tentativa de colocação no mercado de trabalho. Muitos viram callcenters em empresas de telefonia e viram escravos de fato.

Paula disse...

kkkkkkkkkkkkkk, eu li o seu texto e li rindo de desespero por saber que é tudo verdade e é como eu me sinto. Há pouco eu tava sufocada de saber que cheguei aos 30 anos e sou um nada, não consegui construir nada! e saí do sofá que estava tentando estudar a constituição pq decidi fazer concurso pro TRT (desisti da OAB, não sei se temporariamente)e vim pro pc tentar desabafar e encontrei o seu blog. Ah e um recado pra querida Andressa Ribeiro, você não está sozinha! A merda que eu fiz, eu nunca tinha pensado em fazer direito e uma vizinha me levou pra fazer o vestibular e eu nem sabia que tinha OAB, só aí mesmo na real perto de me formar numa dessas faculdades de merda que vc sabem...no fim das contas, acabei me formando por pura frouxidão de coltar atrás e desistir, mas tbm eu nem sabia o que queria..muito dinheiro gasto..sacrifício de meus pais, e to quase entrando em depressão...nunca quis isso e não agradeço a essa vizinha que se achava da família, por ter feito isso por mim...passei a fase toda dos meus 20 anos estudando e to com 30 me formei com 29 e daí? To já pra mandar todo mundo ir pra puta que o pariu e ir viver minha vida como eu quiser. OAB Desgraçada mesmooooooooo, desgraçada seja essa vizinha que me iludiu dizendo que eu ser uma Juiza, uma promotora e perdi 7 anos nisso. Quem sabe eu pudesse ter tido uma outra vida, pior ou melhor, quem sabe..mas se eu já to na merda mesmo sendo formada...Sei nem o que pensar.To entrando em parafuso.

Paula disse...

Ah, e eu trabalho em call center desde que comecei a faculdade até hoje! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Anônimo disse...

Olá pessoal, me chamo *Katty* adorei seu blog e seu texto é muito real.....Gostaria muito de dar meu depoimento e desabafo também....entrei na facul de direito por pura ilusão no ano de 1999, queria ser "doutora" achava que eu ia ser uma mulher turbinada e com muita grana, puro status....Bem, me formei em 2003 em faculdade "Segunda Linha", e no meu caso consegui a tão sonhada OAB no ano de 2008 (após 5 anos de depressão e sem saber o que fazer literalmente)......bem hoje vocês devem pensar "nossa que legal vc já é Doutora né...ta advogando..." sim advoguei para um escritório mas só fazia coisas administrativas....depois arrumei outro escritório que "escravizava" os advogados, jogavam uma agenda com mais de 300 prazos por dia para você fazer "contencioso de massa"....e quer saber???? a REAL ????? Me arrependo amargamente de ter escolhido essa carreira, não consigo parar em nenhum escritório, e agora que estou na fase dos 34 anos piorou, porque eles acham que quero ter filho (só pq me casei recentemente)...emfim...estou me sentindo uma inválida advogada e a única alternativa que ainda me resta são os concursos......Ahhhh e eu vou começar outra faculdade se deus quiser pois vi que realmente advogar não é minha praia....pena que passou tanto tempo para eu perceber isso....mas na verdade eu continuei em frente para dar orgulho aos meus pais.......desculpem o desabafo....

Leandro Marques disse...

Eis a chance de mudar essa realidade . As ruad estão chamando os bacharéis para derrubar de vez este criminoso meio de arrecadaçã o e segregação de pessoascom direito adquirido.Pobre são os que defendem .Arrecafação e reserva de mercado. Experimente um dia precisar de um advogado e ter q vender tudo para paga lo.

Rodrigo disse...

Tb gostei do texto, e assim como nosso amigo estou na mesma situação, mas já tenho 2 canecões, pois sou Licenciado em HIstória e agora Bacharel em Direito.

Apesar de concordar com absolutamente tudo, que foi escrito pelo autor, devo dizer que existe uma linha invisivel que separa a vida dentro e fora da faculdade.

Na faculdade, por intermedio da coordenação do curso tentam te passar uma falsa sensação de que vc esta num cursos de elite (da epoca que so existiam alguns cursos de direito), mas quando você ta fora da faculdade é vida real.

Se não estudar muito e de modo adequado, uma preparação fora do normal , não se chega a lugar algum.

Prova da OAB é apenas uma coisa de politica, um exemplo disso é que se passar mais de 50% na 1 FASE, é praticamente impossivel cancelarem 1 questão na segunda.

A justiça esta muito longe disso, alias aqui o que fala mais alto é Jusitça economica, se vc tem muito vc ta certo se vc tem pouco vc ta errado.

Anônimo disse...

Adorei. Acabei de me formar em Direito e estou na mesma situação. Ao contrario do que disseram todos dizem que emprego vai ser fácil de conseguir porque há varias opções, doce ilusão.

Anônimo disse...

Cara que ruim esse texto, quando eu achei que estava no meio do texto, pulei o link do víde que estava quebrado e me dei conta que o texto já tinha chegado ao fim.
Agora entendo pq vc nao conseguiu tirar a OAB

Anônimo disse...

eu vou começar cursar agora o curso porem eu sei q tem essa temida exame da OAB , todos falam q tem q estudar bastante .. mas pra quem quer ser advogado sabe q eh complicado precisa estudar muito .. eu li o texto e fiquei me imaginando nessa situação .. porem eu me perguntei pra mim mesmo, e isso que eu quero pra mim ? Fiquei horas pensando e respondi que sim .. eu sei q ah parada eh dura mas vou por as cara no curso vo me dedicar ao máximo .. ii essa AOB tenho certeza que vc não vai acabar cm o meu sonho .. eu tenho 18 anos vou ingressar agora e com fe no meu potencial vou ser muito reconhecido como uns dos melhores advogados do brasil .

Anônimo disse...

Parabéns para quem conseguiu mudar de ideia antes

assinado

Bacharel em direito desempregada

Anônimo disse...

Já tinha lido esse post antes, mas hoje acabei voltando pra ele.
Gostaria de dar minha opinião.
1- Li em um post atrás que as faculdades de direito tentam passar uma imagem de elite.
Durante meu curso, dois professores acabaram por dizer, um que desistiu e outro que desistiria de advogar pois são muitos os entraves, como muitos advogados, poucas causas e vários funcionários publicos que tem o rei na barriga, mesmo sendo um simples analista, técnico judiciário;
Numa pesquisa recente em site de consulta da Justiça, pude ver que dos diversos professores que tive, apenas 1, cheio de lábia e que não dava uma boa aula, atuou em mais de 50 processos na justiça comum em 2014;
A boa professora que passava a impressão de bem sucedida...atuou em apenas 3 na justiça comum em 2014;
2- Dificuldade de passar na OAB;
Me desculpem quem não passou ou tá com medo de passar, mas na minha turma dos que fizeram, uns 20, apenas 4 não passaram de primeira. Até o fulaninho que colava direto passou. Desse modo, acredito que a dificuldade não seja o exame da OAB, mas a falta de uma melhor preparação;
3- To formado recentemente, passei na OAB no 9° período, estudando para concurso; pois é incrível que não exista escritório querendo alguém pra trabalhar(fora dos grandes centros); começar sozinho tá complicado.

4- Os escritórios quando contratam alguém, os contrata como associado, numa clara fuga ao pagamento dos direitos trabalhistas, assim, o próprio advogado tem que pagar sua previdência.

Pess. disse...

Seu texto mostra que a escolha pelo curso de Direito vem a ser um grande equívoco, ainda mais se o universitário estudou em Uniesquinas.
Falo por experiência própria.

Estudar Direito atualmente é fria, a não ser que você já esteja bem encaminhado, digo com um parente que tenha um escritório de renome.

Concurso TODO MUNDO quer fazer, chega a "dar medo" a quantidade de deseperados estudando para qualquer concurso. O importante é se "encostar" e garantir um bom salário e muita segurança. Hehehe

Nós vamos de mal a pior...

tarcis benevenuto disse...

Vai fundo mano.
Dá moral pro atraso não.

tarcis benevenuto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
tarcis benevenuto disse...

Vai fundo mano.
Dá moral pro atraso não.

Anônimo disse...

O que assusta tbem é ver quantos já de formaram, e quantos ainda de formam. É um absurdo. Estou com 28 anos e não sei de nada. Não tenho vontade de ler nada em relação a área. Todo mundo fala que sou inteligente, mas é tão somente pela minha boa desenvoltura com as palavras, e conhecimento de assu tod corriqueiros. Sou um líder, mas não tenho paciência para estudar para OAB. É preguiça mesmo. Que eu faço.

Anônimo disse...

Olá a todos, não sei quando irão, ou se irão ler meu comentário. Para aqueles que estão lendo, deixarei aqui o meu depoimento sobre como estou me sentindo agora que terminei o curso de Direito.

Vamos la:

Moro no interior, as pessoas da minha cidade não tem grande poder aquisitivo (fora o fato de que muitas lojas estão fechando, ou simplesmente reduzindo seu quadro de funcionários devido a crise ). A cada esquina eu encontro 5 advogados, eu realmente não sei como eles se mantêm. Fato é, que eu possuo diversos amigos que também se formaram e passaram na OAB, e até hoje nunca retiraram a sua carteirinha na OAB, simplesmente por não saber como começar a advogar. Quando você tem condição financeira de montar um escritório, é mais tranquilo ( continua sendo difícil, pois não tem jeito, só o tempo construirá o seu nome no mercado ), agora se você for que nem eu ( um pé rapado ) , a coisa fica bem pior, pois nem advogar em casa eu posso, uma vez que tudo aqui é muito pequeno.

Encontrei esse blog aqui por acaso, em um momento de desespero. Estou há 5 dias formados, e desde então tenho tido problemas para dormir a noite, tendo em vista o que eu não sei o que fazer com tudo o que eu aprendi nesses 5 anos.

O que pretendo fazer? Bem, a advocacia realmente não me interessa. Por mais que eu eventualmente pudesse ganhar bem ( o que eu acho difícil ), eu não me sentiria realizado como profissional . Comentei com alguns conhecidos que me formei, e estou a procura de emprego. ( pra ganhar salário mínimo mesmo ) , qualquer coisa é melhor do que ficar parado em casa refletindo o quanto a realidade atual é ruim. Provavelmente em 2016 irei trabalhar em algo ( recepção de academia, comércio, etc ) enquanto faço algum curso para um concurso que me interessar.

Se o emprego me desgastar ao ponto de eu não conseguir estudar, largo o emprego. Eu poderia muito bem ficar sendo sustentado por meus pais por mais alguns anos, só que eu acho isso além de errado, um absurdo. Tenho 24 anos, e ver meus amigos de infância conquistando seus sonhos DÓI. Não existe coisa pior do que o dia após o fim da faculdade, você se sente a pessoa mais INÚTIL DO MUNDO ao ficar em casa, enquanto todos estão vivendo la fora.

Então se você leu até aqui, saiba que você não está sozinho nessa. Existe milhares de outros estudantes de Direito por ai com essa mesma dúvida sobre o que será do resto de suas vidas. Viva....as coisas simplesmente acontecem para quem está vivo. Vá a academia, saia com sua namorada, jogue seu mmorpg, e quando conseguir ver dentro de um determinado cargo público, dê tudo de si para entrar nele.

Um grande abraço, Renan Ruiz

Anônimo disse...

Oi! Bom dia, boa tarde ou boa noite!!!

Inicialmente, gostaria de dizer que me formei em um desses últimos anos, já tendo sido aprovado na OAB durante o 9° período da faculdade.

Após o término da graduação passei por um período um tanto depressivo, pois apesar de enviar currículos para escritórios, nunca conseguia nem ao menos entrevistas. Mas reconheço, meu currículo, principalmente, para a área jurídica não era grande coisa. Apesar de ter passado na OAB na primeira prova, meu currículo não tinha nada de extraordinário, apenas a graduação e cursos de informática.

Em razão da dificuldade encontrada para entrar no mercado de trabalho no setor privado, resolvi me preparar para concursos e fiz um curso preparatório, dessas empresas especializadas e de abrangência nacional.

Continuei sem emprego.

Fui aprovado para fazer um curso dos mais famosos e bons do Brasil, onde vem pessoas de outros estados para tentar entrar no curso. Posso dizer, a área é concorrida! muita gente boa!!!

Pelos próximos 3 anos irei cursá-lo.

Farei cursos de idiomas.

E na pior das hipóteses, não conseguindo aprovação num concurso "top", ao menos meu currículo terá sido melhorado e ficará mais fácil arrumar emprego ou até mesmo iniciar por conta própria, já que será uma especialização "top".

Concluindo: Me cobrava um emprego na área, mas não estava tão qualificado como outros, pois parando para analisar, há muita gente buscando qualificação, a concorrência é voraz. Considero que nunca devemos deixar de estudar, seja para prova da OAB, para concursos ou trabalho em escritório.

Verifique, analise se você tem se preparado o suficiente. Tem estudado mesmo ou tem ficado à frente do computador acessando o facebook?

Nunca deixe de acreditar.

OBS.: Nesse curso top, há vagas para cotas de negros e hipossuficientes.

Abraços e feliz 2016, que as coisas melhorem esse ano para todos nós!



Neas disse...

Nossa... Me senti até um pouco aliviada apoós ler tanta "desmotivaçao". Vejo que és bem intencionado e gostaria muito de mais detalhes sobre a pós que mancionaste. Podes me dar? Responda

Neas disse...

Nossa... Me senti até um pouco aliviada apoós ler tanta "desmotivaçao". Vejo que és bem intencionado e gostaria muito de mais detalhes sobre a pós que mancionaste. Podes me dar?

Anônimo disse...

Odiei esse texto. Faz um texto enorme cheio de controvérsias e "manipulação mental", imagina só um iniciante do curso de Direito ler esse texto? Que ridículo, falta de bom censo.E no final do texto fala que é uma pegadinha, nem parece que esse(a) fez Direito. onde é que clica pra denunciar esse texto tolo sem coerência?
Vamos em busca de conselhos e apoios e damos de frente com esse lixo.
e é desse jeito que o Brasil prossegue. Vamos melhorar por favor né

Anônimo disse...

Olá.

Eu nem ia comentar nada, porém depois de ler todos os comentários acima, precisei deixar a minha mensagem também.

Em primeiro lugar devo assinar sob tudo que foi dito, pois infelizmente é verdade.

A situação só é realmente diferente desta que foi relatada para aquelas pessoas excepcionais que estudam e levam o curso muitíssimo a sério, e aí sim normalmente já saem de lá bem encaminhadas, seja para advogar ou para passar num concurso público.

Ocorre que a maioria das pessoas entra jovem na faculdade, tudo é novo, e dificilmente leva a faculdade com a seriedade merecida. A consequência é: estuda somente na véspera da prova (muitas vezes nem isso), não aprende realmente a matéria, enfim. O resultado só é visível de fato ao final dos cinco anos, quando o bacharel finalmente se dá conta de que o tempo no curso foi mal aproveitado, pois boa porcentagem da responsabilidade é do aluno, não importa se o curso é "mequetrefe", a faculdade/ensino é ele quem faz. Seja pegando bons livros, seja estudando sozinho, acompanhando em casa a matéria que eventualmente não tenha sido bem conduzida em sala. Infelizmente a maioria não age desse modo quando ainda está se formando.

Os resultados são esses que lemos nos comentários.

E sabe o pior? O pior é que eu mesma estou justamente nesta situação vexatória e deprimente. 28 anos, trabalhando com teleatendente, na iminência de ser demitida. Realizei a primeira OAB em 2014, não obtive êxito (pois estudei na véspera, pasmem!). Em 2015 novamente realizei o exame, pois depois da reprovação resolvi realmente estudar (ainda que por conta própria), e consegui lograr êxito na primeira fase.
Fiz a segunda fase, e a nota "bateu na trave", ou seja...precisei estudar para repescagem. E olhe só: tirei uma nota ainda menor na repescagem. Foi lamentável, ainda mais que fui uma das três últimas a deixar a sala, acreditado ter feito uma prova suficiente para passar.

Chorei, respirei fundo e cá estou eu novamente a estaca zero, estudando conforme a nova legislação processual civil, para a primeira abençoada fase. Será que mais alguém concorda comigo que é desumano voltar a primeira fase, uma vez que você já passou? Enfim... Só quem passa por isso entende, demais pessoas se gabam em dizer: "passei de primeiro".
Conhecem o ditado? "Para julgar alguém, antes calce os sapatos dela e ande um quilometro com eles".

Eu espero que o meu desabafo ajude quem quer que seja, que também está desesperado (a), achando que não há saída.

Apesar dos pesares, eu acredito que há um lugar ao sol para todos. Mas é preciso resiliência. A vida bate, você levanta. A vida te derruba, você levanta novamente. E assim sucessivamente.

Meus planos sempre foram prestar concurso público, inclusive prestei alguns, e não consegui passar, evidentemente a preparação estava crua.
Mas não paro. Sigo em frente, certa de que a minha vez chegará. Talvez não tenha chegado tão rápido como eu sonhava, mas também...nada vem de mãos beijadas. Principalmente em se tratando de concurso público, e até mesmo a própria advocacia (conforme dito acima nos outros comentários, já saturada).

Sucesso a todos.

Feänor disse...

== PARTE 1 ==

Não acredito que ainda tem gente comentando nesse post ancião em um blog que eu abandonei há anos! Como é que vocês ainda estão encontrando essa publicação???

Eu pretendia apagar o blog hoje, mas depois de ler os desabafos que vocês postaram aqui, resolvi deixar um "post mortem" para esse texto. Talvez estas reflexões sirvam para alguma coisa aos navegantes e náufragos perdidos neste canto empoeirado da internet.

Em primeiro lugar, o motivo do texto não era exatamente um desabafo - ao menos não com relação à OAB. Na época, eu estava cursando o quinto ano de Direito, e a pressão nesse período, como as senhoras e senhores bem sabem, é imensa. Pra completar, tive a brilhante idéia de começar a cursar Filosofia nesse mesmo ano. Então, eu estava às voltas com o fim da minha monografia, matriculado em um cursinho preparatório para a OAB (aos sábados), comparecendo em duas faculdades, fazendo estágio de meio período à tarde em um órgão público e ainda fazia um outro curso aos domingos. É óbvio que essa tentativa tola de abraçar o mundo com as pernas não deu certo. A única coisa que consegui foi aumentar minha carga de estresse. Falhei em praticamente tudo o que tentei fazer nesse período: desisti da filosofia, faltei em algumas (ou muitas... francamente não lembro, mas invoco em minha defesa o "in dubio pro reo") aulas de sábado, não passei no exame da ordem (resultado natural já que não estudei muito), desisti do curso aos domingos e não prestei muita atenção nas matérias do quinto ano da faculdade, quase levando ferro em uma matéria ou outra (DP no último ano é o pior pesadelo de qualquer estudante!). Quero deixar claro que existem pessoas com capacidade para gerenciar esse monte de atividades numa boa, mas eu não sou uma delas.

Esse texto foi uma válvula de escape para todo esse estresse acumulado. Eu sempre acreditei em enfrentar as adversidades com bom humor, incluindo piadas auto-depreciativas. "Ria da vida antes que ela ria de você" sempre foi o meu lema. Por conta disso - e porque na época eu havia adquirido um certo gosto pela escrita - acabei desenvolvendo alguns textos no meu tempo livre. De todos eles, resolvi mostrar esse aqui pra um amigo da faculdade. Não sei se ele foi sincero na avaliação ou se o álcool falou mais alto naquele momento, mas ele gostou e me pediu autorização pra divulgar entre nossos amigos e conhecidos. Enfim, o resultado foi que isso acabou adquirindo uma projeção maior do que eu esperava. A idéia nunca foi tornar o texto público - até porque eu tinha um certo receio de ser mal interpretado. Mas aconteceu, e aí já era tarde. Como o texto em si já havia sido divulgado, e como alguns pareceram ter gostado daquilo que leram, acabei decidindo pela sua publicação nesse blog. O motivo era simples - se eu conseguisse provocar algumas risadas em alunos estressados ou desmotivados do quinto ano (ou em qualquer outra pessoa que se identificasse com o texto), eu consideraria isso uma vitória. O humor é uma coisa mágica e sempre invejei os protegidos da musa do riso. Tenho plena convicção de que algumas gargalhadas já tiraram muitas pessoas do fundo do poço.

Resumindo, o texto foi criado como um exercício, e como algumas pessoas aparentemente se identificaram ou ao menos acharam graça no produto final, resolvi divulgá-lo.

Feänor disse...

== PARTE 2 ==

Agora, foi com muita tristeza que li os relatos de vocês sobre as penúrias que estão passando, e me identifico com elas. Como eu disse ali em cima, eu não passei na OAB quando terminei a faculdade. Aos que prestaram a prova e falharam, vocês sabem muito bem qual é o efeito que isso tem na nossa auto-estima, sem falar no estigma de ser alguém formado em direito sem OAB. No meu caso, foi um pouco diferente. Eu não fiquei arrasado, porque não passar era previsível - eu sabia muito bem que estava mal preparado para a prova. Meu quinto ano foi praticamente jogado no lixo, e seria até injusto passar com tão pouco esforço. Também não dava muita importância à carteira da ordem porque, no fim das contas, não queria advogar. Meu interesse era prestar concurso, especificamente para as carreiras policiais. Mesmo assim, não foi nada legal passar pela experiência de reprovar no exame. Na minha cabeça, eu pensava: "se não passo nem na OAB, que não tem concorrência, como vou passar em um concurso???". Isso, claro, me desmotivou um pouco.

Enfim, após me formar, me tornei concurseiro em tempo integral. Continuei no estágio por algum tempo, mas dedicava minhas manhãs a cursos focados nas carreiras públicas. E levei ferro em todos os que eu prestei! Tentei concursos da polícia civil, federal e rodoviária, e não passei em nenhum. Minha motivação chegou a níveis extremamente baixos - tão baixos que nem sabia mais o que fazer. Por puro desespero, resolvi prestar a OAB uma última vez para ter esse plano "B" caso tudo mais falhasse e eu nunca conseguisse a tão sonhada carreira policial. Prometi que seria a segunda e última tentativa, e dessa vez, estudei pra valer. Me matriculei em um curso exclusivamente para a OAB, e estudei a ponto de poder dizer que estava plenamente preparado. Felizmente deu certo - passei! Mas não adiantou muito...

Como nem tudo são flores, o fato de ter me dedicado por muito tempo a concursos públicos me deixou um tanto deficiente no quesito curricular. Também não morava mais em São Paulo nessa época, e na minha nova cidade não existia aquela abundância de escritórios de advocacia da capital. Pior - como fiz faculdade na capital, meus contatos estavam todos por lá. Lamentavelmente, não consegui advogar, e ao invés de advogado, era mais correto me chamar de contribuinte da OAB.

Voltei aos concursos um tanto desolado, mas com propósito firme (inclusive por necessidade) de passar em alguma coisa. Dessa vez, resolvi tentar uma abordagem diferente: desisti dos concursos da polícia para tentar outra carreira. Porque desisti do meu sonho...? Porque, sendo completamente realista, eu percebi que havia chegado em um ponto em que meu nervosismo estava me sabotando nas provas e nos estudos para aquela carreira. Meu plano era tentar outra carreira pública, e após passar, poderia estudar com calma e sem pressão para qualquer concurso. Poderia até demorar para passar em outro concurso, mas não me sentiria mal porque não estaria completamente estagnado (e não estaria contando migalhas / fazendo bicos todo mês para sobreviver).

Foi um caminho árduo, mas deu certo. Escolhi um concurso com o qual percebi que possuía afinidade com a matéria cobrada, e que tinha um bom número de vagas. Consegui passar nesse concurso, e estou feliz no meu trabalho. Até desisti das carreiras policiais, porque aprendi a gostar do que faço. Não abandonei completamente a vida concurseira, mas suspendi os concursos no momento por estar focado na minha capacitação para meu atual trabalho. É possível que eu acabe me acomodando onde estou, mas isso não seria tão ruim justamente porque gosto do que faço atualmente.

Feänor disse...

== PARTE 3 ==

O que vocês podem tirar de lição disso tudo? Talvez algumas coisas:

1- Por pior que as coisas estejam, não desista. Porém, "não desitir" não significa insistir eternamente em um plano que não está dando certo. Tenha auto-crítica suficiente para perceber se você entrou em um ciclo vicioso de derrotas e auto-sabotagem. Tenha flexibilidade para engolir o orgulho e tentar voar mais baixo. Suspender seu sonho não significa desistir dele. Seu caminho pode se tornar mais longo, com uma ou outra escala em empregos diferentes, mas pode valer mais a pena traçar uma rota longa e segura do que insistir no caminho mais curto e perigoso. Utilizar diferentes concursos (ou mesmo a advocacia) como escada é um meio plenamente aceitável de chegar ao ponto onde você via se sentir realizado, e pode até ser que você encontre a felicidade no meio do caminho ao invés do seu destino final.

2- Para você que ainda está no curso de direito, foco! Se você quer ser funcionário público, você tem 2 alternativas. A primeira delas é começar desde AGORA a estudar para sua carreira desejada. Se sua força de vontade é grande, pode tentar frequentar um cursinho específico, mas cuidado para não aumentar seu nível de cansaço e repulsa pela matéria antes mesmo de começar o estudo pesado da coisa. A maioria vai se dar melhor com estudo por sua própria conta da matéria do edital e resolução de provas passadas (isso é extremamente importante!!). Também procurem um estágio no órgão em que pretendem trabalhar no futuro. Em alguns casos, esse estágio, quando oficial, serve como o tempo de serviço necessário para ingresso na carreira.

A segunda alternativa é estudar e prestar um concurso que requeira apenas o ensino médio completo. Esses concursos são mais fáceis de obter a aprovação, e muitos não possuem redação ou prova dissertativa (e tendem mais para a decoreba da lei seca). Pode ser mais fácil conciliar a faculdade com o estudo para esse tipo de concurso. Alguns exemplos são concursos para bancos, tribunais de justiça, algumas carreiras policiais etc. Verifique no seu Estado qual a titulação necessária para cada emprego, e a remuneração. Você pode se surpreender com o salário em alguns casos.

Se a preferência é pela advocacia, imagino que coisas como um estágio bom, cursos relevantes na área e "networking" serão essenciais para conseguir um emprego. Não esqueçam da possibilidade de prestar serviço como advogados conveniados com a Defensoria Pública para adquirir experiência no início da carreira. Outra boa sacada é virar monitor de algum professor que possua escritório de advocacia. Ainda que ele não te ofereça uma vaga de estágio, certamente ele pode te arrumar alguma coisa com algum colega de profissão. Ainda que isso não aconteça, já é algo que vai demonstrar proatividade em seu currículo.

3- Hoje em dia, vocês possuem uma extrema facilidade na forma de aplicativos de celular no auxílio dos estudos (exemplo: eu uso o do Qconcursos - não é merchan, tá? Existem outros.). Façam uso extenso deles. Pode te ajudar a estudar em qualquer lugar, até mesmo na fila do banco ou no dentista.

4- Adquiram como hábito a leitura do "push" do STF e STJ. Leiam acórdãos emblemáticos sobre as matérias do interesse de vocês e fiquem a par das últimas modificações jurisprudenciais, porque isso só vai ajudá-los em qualquer que seja a carreira jurídica que pretendam seguir.

5- Vou contar um segredo para vocês. O serviço público não é restrito aos gênios, mesmo nos altos cargos. Sim, os primeiros colocados são pessoas especiais - seja em intelecto ou força de vontade, ou ambos - mas a grande maioria dos aprovados são pessoas comuns como eu ou você. A única diferença é que não desistiram. Lembrem-se que vocês não estudam para passar em um concurso, mas sim, ATÉ PASSAR.

Feänor disse...

== PARTE 4 ==

6- Por pior que vocês se sintam, por mais envergonhados ou desestimulados que estiverem, não fujam dos seus amigos. Vocês vão se arrepender disso mais pra frente. Não percam esses laços por orgulho. Alguns, depois de rompidos, não voltam nunca mais. Também não abdiquem por completo da vida social, porque se divertir é necessário para controlar o estresse. Se vocês só estudarem, vão pirar e os efeitos do estudo podem começar a desaparecer. Mantenham um hobby, saiam de casa e façam exercícios regulares. Corpo são, mente sã.

7- Você pode estar estudando errado sem saber. Estudo excessivo a ponto de atrapalhar suas horas de sono é contraproducente, por exemplo. Você pode ter um baixo aproveitamento com seu método específico de estudo, então tente variá-los (existem livros ensinando vários métodos, tente ler um desses e veja se uma nova abordagem te traz resultados). Pode ser que você esteja estudando em excesso matérias que já domina e negligenciando outras onde sua retenção é mais fraca (aplicativos podem ajudar a mapear suas deficiências de aprendizado).

8- Mantenha a regularidade dos estudos. Se, em um determinado dia, você tem bem pouco tempo para estudar por qualquer motivo, estude assim mesmo para ajudar a manter o hábito. Conhecimento acumulado por estudo é como músculo adquirido na academia - se parar de usar, vai atrofiar. Te convidaram pra sair em 2 horas no fim de semana? Estude pelo menos uma horinha, começando agora!

9- Mais uma dica pros estudantes de direito: não estudem apenas uma ou duas matérias só porque pretendem advogar exclusivamente nessas áreas. Em primeiro lugar, porque tem o exame da OAB, mas em segundo lugar, porque você podem fechar muitas portas no futuro dessa maneira. Se aparecer uma vaga em um escritório trabalhista e você só entende de criminal, como fica?

Aliás, um aviso para a turma do "adoro criminal, quero ser advogado criminalista e só": a remuneração é baixa (não tem nem sucumbência), os escritórios são menores do que os análogos de outras áreas (portanto existem menos vagas), muitos clientes são "captados" pela Defensoria Pública / advogados dativos (porque muitos acusados de crimes são hipossuficientes) e a captação de clientes é mais difícil do que em outras áreas. Se você quer MESMO trabalhar na área, algumas opções: networking bom, estágio bom que te encaminhe pra ser efetivado (meio arriscado, podem te puxar o tapete na hora "h"), faça nome no júri sendo advogado nomeado se necessário (boa forma de propaganda gratuita - seja bom no júri, e o boca a boca vai te render clientes. Mas se você for ruim, pode ter o efeito contrário!). Na advocacia, não é bom colocar todos os ovos em uma só cesta.

E acima de tudo, aprendam muito bem Direito Processual Civil! Não importa a área que pretendem seguir! Aprendam! Tá no topo da importância dos seus estudos junto com Constitucional!!!

Feänor disse...

== PARTE 5 ==

Uma última dica referente a advocacia: ações de servidores públicos são uma ótima forma de começar a advogar. Servidor público está sempre processando o Poder Público por problemas de pagamento etc. Em geral, essas ações são repetitivas, com as mesmas situações e argumentos. Viu uma, viu todas. A prova também costuma ser unicamente documental, e como o Poder Público não delega poderes de conciliação aos seus procuradores, isso significa que sequer existe audiência para comparecer - e com a facilidade moderna do processo digital, dá pra tocar o processo inteiro do conforto de sua casa e só comparecer em cartório mesmo na hora de retirar alguma guia de levantamento. Em outras palavras, vocês podem manejar o processo do começo ao fim vestindo pijama! Quer mais moleza do que isso? E você ainda quer trabalhar com criminal, se virando nos 30 pra oferecer alegações finais orais vestindo aquele terno todo apertado que mal te serve mais porque você andou exagerando no quilo nos entornos do Fórum??? Fala sério!


Brincadeiras à parte e pra contextualizar melhor tudo o que eu escrevi, deixa eu falar um pouco sobre minha pessoa. Eu sou e sempre fui um indivíduo extremamente mediano. Não costumo me destacar nas coisas - nem no aspecto bom, nem no ruim. Eu sou a média estatística, o pequeno esforço, a mediocridade. Ambições modestas, esforço mediano, resultados pouco notáveis. Sempre fui assim no colégio, cursinho, faculdade etc. Isso é bom, isso é ruim? Não sei, mas não me incomoda. Também nunca fui um homem de fortes paixões. Sabe aquelas crianças que demonstram uma forte disposição, desde pequenos, a seguirem determinada carreira ou caminho em sua vida adulta? Nunca tive isso. Se tinha algum sonho quando era criança, devia ser alguma ilusão infantil focada na perpetuação do "status quo", como trabalhar desenvolvendo jogos ou algo do gênero (aos que desejam se tornar desenvolvedores de jogos, não fiquem bravos - não estou maldizendo sua nobre profissão, mas sim, fazendo uma auto-crítica. Existe uma diferença enorme entre querer "jogar jogos" e "criar jogos", e muitos confundem um com o outro ao declamar este tipo de desejo).

Em resumo, sou o tipo de pessoa que se deixa levar pelas correntes do mar da vida. Aliás, escolhi Direito justamente por não saber o que escolher. Eu gostava de ler, então me sugeriram essa faculdade. Caí no conto do Direito! Mas hoje, estou feliz pela escolha. A alternativa provavelmente seria me formar em História, e como não gosto da idéia de dar aula, não sei o que faria da vida.

Feänor disse...

== PARTE 6 ==

Mesmo assim, eu cheguei em algum lugar. Pode não ser o lugar onde eu pretendia chegar, mas é o meu lugar, e eu aprendi a gostar dele. O mais importante de tudo é que eu me sinto bem comigo mesmo. Eu acordo com disposição, ansioso pra começar meu dia, e não fico contando as horas pra voltar para a cama assim que saio dela. Não fico me corroendo de angústia, não fico remoendo o que não foi e poderia ter sido. Eu sinto que estou evoluindo um pouco a cada dia, e sei que estou em condições, se quiser, de encampar uma nova jornada em busca de um novo concurso. Consigo andar de cabeça erguida, e o mais importante, pagar as contas no fim do mês. É verdade que ainda não cheguei no fim da minha jornada, mas estou gostando do caminho que tomei.

Eu quero concluir dizendo que se eu consegui, você TAMBÉM consegue. Cada um de vocês tem suas particularidades, eu sei. Mas qualquer ser humano tem o potencial de trabalhar duro para alcançar seus objetivos se desistir. Sim, alguns de vocês estão passando por problemas financeiros, e eu sei que isso atrapalha. Alguns de vocês dedicam boa parte de seu tempo cuidando de terceiros (como filhos, por exemplo). Isso atrapalha, eu sei, mas não adianta se lamentar ou lamuriar do que é imutável. A vida é como uma mesa de poker - ela não é justa, mas temos que jogar com a mão que recebemos. Se você tem uma limitação, trabalhe para superá-la de alguma forma. Maximização do aproveitamento do tempo de estudo com método diferente, audioaulas enquanto faz serviço doméstico / academia, estudo no trânsito (válido se você pega ônibus ou metrô - não vá ler livros de direito ao volante!), tentativa de um concurso mais fácil... e por aí vai. Se você tem tempo para pensar no quão ruim sua vida é, tem tempo para imaginar como pode torná-la melhor.

Especificamente aos que estão se batendo com o exame da OAB, não desistam! Conheci alguns advogados que só conseguiram tirar a tão sonhada carteira depois de 5 ou 6 tentativas, mas que hoje são advogados de sucesso.

Boa sorte a todos! Desejo muito sucesso em suas futuras carreiras!

== FIM ==

Leidiane Soares disse...

Arrependo amargamente de ter feito Direito, o pior curso, só pessoas quebradas.....Haaaa se eu pudesse voltar atrás..