Bem-vindos, nobres espíritos!

Sintam-se em casa em minha humilde morada. Aqui vocês encontrarão alguns de meus loucos textos que ora lhes convido a ler e, se assim desejarem, comentar...

janeiro 28, 2008

Entrefados

Um pequeno poema que sintetiza o que sinto todos os dias entre o horário em que acordo, e o momento em que novamente repouso.

Ah, sim, ganhei alguns selos indicados pela Nana, pelo que agradeço desde já. Mas farei um post decente na próxima atualização com eles e os novos indicados, bem como com os devidos agradecimentos (agora to sem tempo).


Oh, Enfado!

Ardo
Com o fardo
De ser

Resultado
De meu fado
...Sofrer

Autor: Jarbas Lima Alves da Silva

janeiro 24, 2008

Nada e Ninguém

Um pequeno conto, que é mais um reflexo de minha natureza interna. Este conto é, de certa forma, a continuação espiritual de outro dos meus que já postei aqui anteriormente. Mas não há necessidade de sua leitura para compreensão do texto.

Também aviso que no texto original utilizei um recurso para dinamizar a leitura deste texto que é um diálogo. Para retirar a necessidade de identificação dos personagens, utilizei uma cor para a fala de cada um deles. No entanto, como sou uma anta e não sei mudar a cor do texto por aqui, coloquei um deles em negrito, e o outro, em letras normais para simular o efeito.



[Na encruzilhada das Sendas do Destino]


- Olá, amigo. Quem é você?
- Eu sou Nada.
- Nada? Porque tens um nome tão desprovido de sentido?
- Porque sou a exata ausência de alguma coisa.
- Não parece um tanto paradoxal que você seja Nada, e ao mesmo tempo esteja discutindo comigo?
- Talvez não... E tu? Qual é teu nome?
- Eu sou Ninguém.
- Eis, então, a solução do mistério, e o início do problema: Nada nem Ninguém conversam.
- Entendo... Quem, afinal, determinou teu nome?
- Certamente a Vida, ou o Destino.
- Não, isso não pode ser... A Vida é uma mãe passiva, e o Destino um pai ausente, ao menos no presente... O que tu és? De qual raça provém?
- Já disse a Ninguém! Eu não sou nada!
- Mas ao mesmo tempo é alguma coisa... não?
- Porque diz isso?
- Se assim não fosse, diria “Eu sou nada!”
- Em eras passadas, já fui humano... Mas, como já disse, hoje sou Nada, assim como tu és Ninguém.
- Se já foste humano, como perdeste tal condição? Não seria esta inerente ao teu ser?
- A história é longa, e pouco importante... Deseja mesmo ouvir?
- Temos Tempo... Ou melhor, não temos, pois aqui, na encruzilhada do Fim das Eras, sequer Ele reside.
- Pois bem... contarei brevemente minha história.



Eu era um humano como qualquer outro... Ou ao menos, era o que eu achava. Meu convívio com esta sórdida raça me fez perceber o quão pouco tínhamos em comum. Parti, então, rumo ao desconhecido, e tomei um local isolado como lar. Lá, acreditei encontrar um irmão espiritual, um lobo a quem já chamei de amigo, mas, com o tempo, percebi que éramos por demais diferentes, e por isso nos separamos. Tentei me tornar um com a natureza, mas também percebi que da própria flora era eu diferente. Percebi, então, que não era nem um, nem outro, e se não era coisa alguma, apenas poderia ser nada. E Nada me tornei, engolido para sempre pelo vácuo de minha própria essência.

- Escutei com atenção, amigo. Nosso trajeto é diverso, mas nossas histórias, semelhantes.


Já fui outrora um lobo, e corria livremente pelas planícies em busca de alimento com meus pares. No entanto, era por meus irmãos rechaçado, e de maneira alguma era por eles considerado seu igual. Verti lágrimas incontáveis, e o sofrimento me acompanhou em minha jornada. Até que, um dia, resolvi me libertar dos grilhões que me aprisionavam, e parti em busca de alento na vida solitária. Por muito tempo perambulei isolado, e no início tal condição me agradava. Mas passaram-se os anos, e a muito custo percebi que a vida só é dolorosa. Não há sentido em sua própria existência, se não aquiescem dela teus pares. Assim, vitórias são vazias, pois com ninguém são compartilhadas, e lembranças inexistem, eis que ninguém irá delas se lembrar. E ao final, tua existência é irrelevante, pois ninguém há de notá-la ou rememorá-la. No entanto, encontrei em minhas andanças um espírito-irmão. Tratava-se de um humano, por quem nutri grande afeto. Mas, ao final, nos separamos, porque éramos por demais diferentes, ainda que sobremaneira iguais. E desde então me tornei Ninguém, esquecido por todos – até mesmo por mim.

- Diz, então, Ninguém, porque, de todos os lugares, vieste parar aqui?


- Tu bem sabes porque, Nada, mas ainda assim responderei. Se ninguém de ti se lembra, e com ninguém deseja manter contato, apenas resta o isolamento. E tal desejo, se for suficientemente forte em teu espírito, há de se realizar mesmo após a morte. E em qual outro lugar poderia eu repousar, senão no Fim das Eras, onde é certo que nenhuma alma viria se aventurar?

- É certo que aqui estou por igual motivo, pois se nada desejo, apenas o nada posso encontrar. No entanto, cá estamos, eu e tu - e de repente, eu perdi meu nada; e tu, perdeste teu ninguém.

- Sim, estranha coincidência nos acomete. Imagino o motivo deste encontro.


- São sábios os regentes do Universo, e eles, dizem muitos, são reis justos e piedosos. É certo que ambos desejamos o isolamento, mas quem sabe o grito silencioso que escoou de nossa alma?

- Ainda assim, não há nada que desejasse em meu íntimo no momento de minha partida.

- E mesmo em vida, não possuía algum desejo?


- Clamei em vida por companhia, mas vi que foi em vão. Por isso, desisti, e procurei viver uma vida solitária. E de fato o fiz... Não, espera. Me lembro agora. Realmente, após me despedir de meu irmão humano, uma ponta de arrependimento me acompanhou dali em diante.

- E o mesmo digo de meu amigo lobo, de quem com pesar me separei. Creio que o arrependimento me acompanhou até meus últimos dias naquela terra...


- Seria este o motivo de nossa reunião? Seria tu o irmão que perdi em vida, e que agora reencontro após a morte?


- Bendito seja, irmão! Enfim compreendo a inefabilidade dos desígnios divinos... Ainda que longa e penosa seja a jornada, recompensador é o seu desfecho! Eu finalmente encontrei o que desejava, Nada, e tu, encontraste Ninguém!



Dessa forma, pude finalmente compreender meu lugar no Universo...

Eu sou Nada, amigo de Ninguém. E esta existência me basta.

Autor: Jarbas Lima Alves da Silva

(Destino, o guardião daquilo que Foi, É e Será. No entanto, nem mesmo em seu livro estão escritas todas as histórias...)

janeiro 22, 2008

Selo

Amigos, é com muita satisfação que recebo do blog Cafeína Só Não Basta meu primeiro selo. Agradeço ao Sidcafeína pela honra...


Seguem as regras:

1 - Este prêmio deve ser atribuído aos blogs que o premiado considere como sendo "bons" (entendem-se como bons os blogs que costuma visitar regularmente e onde deixa comentários).

2 - O Blog que recebe o "Diz que até não é um mau blog" deve escrever um post:

a) Indicando a pessoa que lhe deu o prêmio com um link para o respectivo blog;
b) Mostrando tag do prêmio e as regras;
c) Indicando outros 7 blogs para receberem o prêmio.

3 - Deve exibir a tag do prêmio no seu blog.

E sem mais delongas... Meus indicados são estes:


Contém Açúcar - Um blog de poesias, daquelas que não são apenas um agregado de belas palavras, mas sim, a transliteração de riquíssimos sentimentos humanos... Recomendo aos que desejam entrar em contato com os mais nobres sentimentos do ser humano em forma escrita. Entrem, vocês não se arrependerão!

Road to Enderheim - Um blog de contos e poesias de um novo escritor - tanto em idade quanto no ofício - cujas obras possuem uma predileção pela temática fantástica medieval. Gosto muito de seus textos, e invejo a habilidade que ele possui em criar poesias na língua inglesa. Façam uma visita!

Contos Ancestrais - Dos blogs do Arthurius - todos excelentes - este é o meu preferido. Um blog de contos, contos maduros assim como aquele que os escreve, e que transbordam profissionalismo. Aos que ali se aventurarem, esperem por descrições ritmadas que prendem a atenção, e desfechos inesperados e surpreendentes. Confiram que vale a pena!

Apenas Cacos, Pedaços - Excelente blog de poesias. Recomendo para qualquer um que deseja entrar em contato com a poesia amadora que, no entanto, se estrutura como a de um profissional. O jogo de palavras é uma característica natural da autora, e acreditem, ela faz isso com maestria. Recomendadíssimo!

Memórias Sentimentais - Eu pensei em colocar apenas blogs literários nesta lista, mas não consegui não incluir o dessa brilhante garota. Este é um blog de reflexões críticas da autora acerca de assuntos da atualidade. Então, o que ele tem de especial? A pessoa que os escreve... Os textos são concisos e muito bem estruturados. As idéias fluem sem saltos lógicos, e a conclusão sempre se embasa nas premissas anteriores. A linguagem é excelente... Simples, porém requintada - não recai em pedantismos desnecessário, mas ao mesmo tempo não se rende ao coloquialismo: é simplificada, mas não banalizada. Textos esteticamente perfeitos, na minha humilde opinião.

Mas não só de estética vive um texto, e lhes garanto que a maestria argumentativa da autora do blog deve ser apreciada em primeira mão, porque meros comentários de terceiros não lhe fariam justiça... Entrem, visitem... E se surpreendam.

Confessionário - Este blog, embora não seja de contos, é como se fosse... É um blog estilo "diário", e relata a vida do autor, César, e suas peripécias amorosas. O destaque fica para o estilo da escrita: ele consegue te prender com a narração, que é simples, mas rica. São textos que extravasam sentimentos, e que, tenho certeza, prendem a atenção de qualquer um. Se você ainda não conhece, dê uma passada, e talvez vire mais um fã - ou umA fã, o que, imagino, ele prefira rs - do seu autor. (um dia, talvez a história dele vire um livro... e venderá bem, tenho certeza).

Contos de Anerás - Este é um blog de "contos" - as aspas estão aí porque, na verdade, se tratam de histórias conexas, pertencentes à uma mitologia una - que conheci há muito pouco tempo, mas do qual já me tornei um leitor fiel. Trata-se da descrição dos eventos que permeiam o mundo fantástico-medieval criado pelo autor, e lhes garanto que a leitura vale a pena. Aos fãs de Salvatore e Weis & Hickman, leiam já que não se arrependerão!


Estes são meus escolhidos... Este post tomou todo meu tempo de hoje, e por este motivo, informarei os escolhidos apenas amanhã.

E amanhã, postareia a continuação espiritual de um conto meu que publiquei em outra oportunidade...

Ah, uma última coisa: PRECISO URGENTEMENTE DE ALGO PRA LER FEEDS! Visitar blog por blog simplesmente não dá mais... Tá na hora de evoluir hehe. Por favor, ME RECOMENDEM ALGO PRA LER FEEDS nos comentários. Obrigado...

janeiro 21, 2008

Sem Sentido

Este é um poema simples - assim como todos os outros - que eu escrevi recentemente. Acho que ele prescinde de maiores explicações...


Quando era criança
Sentia no gosto da vida
A doçura da esperança

Então tornei-me adolescente
E vi o mundo se tornar
Uma festa efervescente

Mas agora que estou adulto
No escuro tateio como um vulto
Em busca do inefável indulto
Que me liberte deste viver

Autor: Jarbas Lima Alves da Silva


(É por tê-la em mira que o fardo da existência se torna suportável)

janeiro 15, 2008

O Lobo e o Camponês

Esta é uma pequena história que escrevi em um momento de íntima reflexão. No entanto, não confidenciarei à vocês qual é a moral desta história, porque a mensagem pouco importa, e sim, a compreensão que vocês, leitores, depreendem deste simplório texto. E no fim das contas, a moral do leitor é a única válida para qualquer obra...


Diz-se que um jovem camponês, desgostoso com a vida em sociedade, decidiu obedecer seu instinto e dali partir. Juntou, então, os poucos bens que lhe pertenciam, e abandonou sua vila, rumando em direção à floresta.

O camponês caminhou, caminhou e caminhou... Mas não conseguia encontrar um local adequado para habitar. Decidiu, por fim, que caminharia até que seu coração lhe mandasse parar.

Por fim, o jovem se viu às margens de um pequeno, porém belo riacho, onde decidiu parar para descansar. E foi ao tomar um gole da água límpida e cristalina daquele córrego que seu coração finalmente quebrou o silêncio: este seria seu novo lar.

Se acomodou, então, o camponês em seu novo lar, e ali passou alguns dias em paz. “Não mais verei a face de nenhum ser vivo”, pensava consigo. “Aqui, não mais serei incomodado”.

No entanto, por ocasião do destino, o camponês encontrou um lobo vagando por seu novo lar. Irritado com a intrusão, o camponês disse ao lobo:

- Criatura vil, vai-te embora daqui! Este é meu lar, e tu aqui não ficarás!


Ao passo que o lobo respondeu:

- Humano, resido nesta floresta desde tempos imemoriais. Com tua arrogância, não apenas turba minha posse, mas ainda deseja me expulsar de meu lar?

- Se esta é realmente tua morada, onde está tua alcatéia?

- Eu, assim como tu, ando só. Tenho tanto em comum com meus pares quanto tendes com os teus.

E o humano nada mais disse, nem o lobo retrucou. E ambos passaram a conviver, muito embora não trocassem uma palavra sequer. Porém, vez ou outra a comida preparada pelo camponês se revelava além de suas necessidades. Quando isto acontecia, ele deixava parte de seu alimento para o lobo. O lupino, por sua vez, montava guarda noturna para proteger o jovem humano, pois seus instintos detectavam a menor movimentação mesmo durante o sono. E não tardou até que estas atividades de ambos se tornassem hábito.

Um certo dia, o camponês cuidava de seus afazeres matinais. Sua rotina, no entanto, foi interrompida pelo som estridente do ganido de um animal nas proximidades. Imediatamente, o humano correu de encontro ao som, e viu que o lobo havia sido ferido por um enorme urso. Sem considerar o perigo de sua atitude, o camponês sacou sua faca e correu em direção ao agressor, cravando-a em seu ombro. O urso reagiu rasgando-lhe a carne com suas afiadas garras, mas se descuidou com este ataque em relação ao lobo, o qual aproveitou a brecha para fincar suas presas no pescoço do urso. Mortalmente ferido, o urso tombou, e após um derradeiro suspiro, pereceu. Então, o humano perguntou ao lobo:

- Lobo! Estais bem?- Porque te preocupas, humano? Não sou para ti mais que um animal selvagem.

- Não é verdade... Tu bem sabes que temos mais em comum do que com nossos pares. Sou tão humano quanto tu és lobo.

- Ainda assim, somos diferentes. E tu bem sabes que juntos não podemos conviver, pois tal é o destino dos homens e lobos: o eterno ódio e a desconfiança impera entre nossas raças.

- E importa nossa natureza mais do que nossos sentimentos?

- Tu viste o que aconteceu, humano. Nossa convivência apenas trouxe dor e sofrimento, e por nossa ventura, ambos estamos feridos. Tu podias, com teu intelecto, fugir do urso ou ludibriá-lo com um estratagema, e eu poderia eventualmente derrubá-lo. O Destino é um senhor terrível, e a ele devemos nos curvar...

- Maldito seja este Destino! Quando acredito encontrar um irmão, vejo-me impossibilitado de ser feliz em sua companhia!

- E irmãos seremos, até o fim dos tempos. Adeus...


E com estas palavras, o lobo partiu. E nunca mais se viram, embora um nunca tenha esquecido completamente do outro.

Autor: Jarbas Lima Alves da Silva

(Foto tirada de de um homem com um lobo no Alaska)

janeiro 11, 2008

Bile à Cavalo

Não tenho o que dizer sobre este proto-poema, pois ele é tão velho quanto o que o precede. Também invoco a tal da licença poética para assassinar o seu João da padoca: esfaqueei o portuga sem dolo homicida, apenas culpa poética...


De sabores eu entendo
Escute bem com atenção
O doce gosto da amizade
Sei bem - não tem comparação

De sabores eu entendo...
Ouve agora a razão
Provei do néctar da honra
E viciei no seu torrão

De sabores eu entendo?
Confuso estou com a emoção
Ora forte ela me torna
Noutra empurra-me ao chão

Dissabores eu entendo
Solta agora minha mão
Pois o amor me é amargo
Ácido feito limão
Talvez em sua abstinência
Encontre a minha salvação

Autor: Jarbas Lima Alves da Silva

janeiro 09, 2008

Lamento ao Futuro Perdido

Um poema que escrevi em um momento não muito bom... E lembrem-se: nem tudo é o que parece - especialmente com a arte - ou, neste caso, pseudo-arte.


Belas visões de um futuro celestial
Improvável – surto de uma mente delirante
E quais martírios os céus resguardam para o infante
Que empafioso, desejou obra angelical?

O veneno do teu ser me entorpece e me destroça
Mas não é tóxico - não há fel
Se sou guerreiro, és hidromel
Teu silêncio é minha coça
E tuas palavras em minha memória
Guardam tempos felizes de outrora
Belas lembranças do que passou

Sem ti, só há derrota
A vida se torna uma anedota
Desprezível seria minha história
Sem teu prefácio de amor

Mas insisto, eis que o esforço
Por tamanha Beleza é pouco
E ainda que lúgubre seja o Destino
Nobre há de ser a empreitada
E nela insistiria a ferro e espada
Ainda que tortuosa fosse a jornada.

Oh! Doce sofrimento
Princípio de alento
Culmina em tormento
E mata.

E assim termina tudo como começa: no Nada.

Autor: Jarbas Lima Alves da Silva


(O último vislumbre que Orfeu obtém de Eurídice na saída do submundo)

janeiro 08, 2008

Fuvest 2008 – Comentários – Geografia

Eu sei que isso é supostamente um blog literário, mas como andei fazendo muita prova, não escrevi muita coisa, então...

Após a árdua batalha, retorno do campo de guerra intelectual, e tal qual um famoso general romano confidenciou após o fim de uma importante escaramuça, ao chegar em casa, disse em alto e bom som:

Veni, vidi... cacildis!


(O general em questão era Maximus Palhacis Mussunis. Esta é uma foto do legionário vestindo sua armadura de combate)


Essa prova estava até que fácil, mas eu descobri duas coisas ao resolvê-la:

1-) Eu leio muito menos jornal do que deveria (a última notícia impressa que li foi sobre a morte do PC Farias, e só porque estava próxima dos quadrinhos)

2-) Eu preciso URGENTEMENTE me atualizar com relação ao mapa mundi (durante minha última consulta, o Irã ainda se chamava Pérsia).

Ou seja, fui mal... Muito mal... Tão mal que, se cebolas fossem corretoras da prova, até elas chorariam de angústia com o meu sofrível desempenho.

(Cebola chorando ao ler na minha prova que o Sudão se chama assim porque fica "ao sul de Dão")


Essa prova teve muito mapa para interpretar. Além disso, a fuvest cobrou muito posicionamento pessoal e estudo comparado de situações, o que é bom. Quem estava atualizado com relação ao que ocorre no mundo e estudou um pouco, foi bem.

Não foi o meu caso.

Para externar minha revolta, resolvi criar um novo modelo de vestibular baseado em informações relevantes que podemos depreender da cultura hodierna, cobrando uma postura reflexiva do aluno sobre questões atuais de nossa sociedade. Quem passar poderá se matricular na minha recém-criada faculdade, denominada Núcleo de Estudos Relevantes e Divertidos.


Segue o primeiro vestibular:

[JARVEST - 2008]

1. Quem atirou primeiro?

a-) Han Solo
b-) Greedo
c-) Chewbacca
d-) George Lucas


2. Qual a velocidade média de vôo de uma andorinha?:

a-) 25km/h na CNTP.
b-) 50km/h se aproveita o empuxo da queda livre.
c-) 10km/h se for depois do almoço – sabe como é, caminhar (ou voar) pra digerir.
d-) Como assim, uma andorinha africana ou européia?


3. Assinale Verdadeiro ou Falso:

a. O fracasso do PS3 se deve a um conjunto de fatores, dentre os quais podemos citar: alto custo do sistema, complexidade do seu devkit, falta de títulos exclusivos decentes, Riiiiidge Racer e Giant Crab + Massive Damage. ( )

b. A rede interativa Live da Microsoft baniu recentemente os consoles com modchips, o que significa que todo usuário com modificações em seu console será abduzido pelo FBI – braço de operações dos reptilianos – onde serão submetidos a experiências cruéis como assistir a uma temporada inteira de Smallville. ( )

c. Em homenagem ao sucesso do videogame da Nintendo, o grupo musical “Queen” gravou uma música para exaltar o console, cuja letra segue parcialmente transcrita: “Wii will wii will rock you!”.( )


Redação: Imagine um encontro entre as icônicas naves espaciais USS Enterprise e a Imperial Star Destroyer. Caso a situação se torne de franca hostilidade, descreva como seria o conflito entre ambas, e qual seria o resultado de tão fatídica experiência.


Se você acertou todas e foi bem na redação, meus parabéns, e bem vindo à N.E.R.D!




Gabarito:

1- a (errou? Culpe o imbecil do George Lucas!)
2- d (vá assistir Monty Python, seu baladeiro!)
3- V, F, F - se você não entendeu a primeira afirmativa, assista o vídeo abaixo:



Para ver um exemplo de redação boa sobre o tema, clique aqui.

janeiro 07, 2008

Me formei em Direito! E agora...?

...agora, meu amigo, você senta e chora... E se você não sabe o motivo, leia o pequeno texto que escrevi abaixo. Ele sintetiza tudo o que eu estou sentindo neste exato momento. Já adianto em minha defesa: há uma alta dose de ironia e sarcasmo no texto.
(Temis, deusa grega da justiça e maior vítima do direito atual. Parafraseando Tobias Barreto, eis nossa justiça, não mais peituda e vendada, mas sim, peitada e vendida...)

Aviso: Os links de notas de rodapé estão quebrados. Depois eu arrumo... Se quiserem, abram duas janelas e olhem as notas do texto em uma delas...


- Finalmente, livre!

É o que gritava o espírito do recém-formado bacharel em direito. Já sua mente, um pouco menos polida, urrava em alto e bom som “Acabou essa merda! Hahahaha!”. E não poderia ter sido outra sua reação, afinal, os longos e tortuosos 5 anos de extrema labuta acadêmica – e nas horas vagas, etílica – haviam por fim acabado, e ele finalmente se tornara...

O que ele se tornara mesmo? Ah, sim... um bacharel... em direito.

Viva......

A euforia inicial o abandonara. O súbito choque de realidade esvaziara seu ânimo tão rapidamente quanto um universitário o faria com sua caneca1 de chopp. E só lhe restava agora a ressaca dos recém-formados, pois no fundo ele sabia que apenas no direito ocorre um fenômeno curioso após o término da faculdade: o recém-formado torna-se, com sua conquista, menos do que era antes.

O conceito lhes parece estranho? Permita-me explicar.

Após a dura batalha pela sobrevivência universitária e escraviária2, o recém-formado na secular profissão jurídica sente como se a faculdade lhe desse um tapinha de “boa sorte” nas costas, enquanto lhe aplica o fatídico “pé na bunda” que o introduzirá no selvagem mercado jurídico de trabalho.

Confuso, o recém-enxotado em direito, após as cerimônias de encerramento de praxe, se dirige ao seu antigo emprego, onde é informado por um comunicado de seus chefes que, “apesar do notável esforço e comprometimento do estagiário com seu serviço, o escritório não está preparado para receber mais um membro em seus quadros já inchados em virtude da estagnação do mercado, e, infeliz e lamentavelmente, não será possível sua manutenção no rol dos escraviá estagiários da empresa”3. E o mais engraçado é que, no dia seguinte, o recém-desempregado sempre descobre pela fofoca nos egroups que o filho do melhor amigo do dono do escritório acabou de ser promovido de estagiário a advogado-sócio de fato4, e seu irmão menor tomou sua antiga vaga no setor de “duplicação de documentos e protocolo de emergência”5 – sendo, é claro, rapidamente promovido para a chefia do local em tempo recorde.

Quanto aos estagiários que trabalham arduamente6 na rede pública, estes sequer se preocupam com tais problemas... Nenhum deles precisa ser um detetive pra saber de antemão por quem, quando, e como serão sumariamente exonerados de seus cargos - “Foi o departamento de RH - no fim do contrato - com o comunicado interno”.

Então, o que acontece é que não importa se você trabalhava no Tossano, no Adeverest, no Eucalipto Neto ou em qualquer órgão público... A questão é que você VAI ser um desempregado, e ponto final!

“Bem, mas eu tenho UM DIPLOMA! Eu sou FORMADO!”

Clap, clap, clap... Parabéns, campeão! Só que não te explicaram uma coisinha mínima...

UM BACHAREL EM DIREITO NÃO PODE FAZER ABSOLUTAMENTE NADA7! Zero, nada, niet!

É isso aí, amigão... Quer prestar um concurso público? Já imaginou? Defensor Público, Promotor de Justiça, Magistrado, Procurador... Bons salários, dá pra comprar aquele carrão que você sempre quis, encher ele de loiras – quentes e geladas – ou curtir aquela viagem com tudo caro – não errei na grafia – em um cruzeiro pela Europa8. Ótimo... Mas... Ah, que pena, não tem OAB? Precisa, né... Hey, mas não fique triste, eu fiquei sabendo que tá abrindo um concurso ótimo pra escrevente do Tribunal de Justiça...

Quer advogar? Bem, você pode... Aliás, se quiser, pode inclusive se inscrever no convênio da Defensoria Pública que eles arrumam causas pra você! Moleza, hein? Não precisa nem correr atrás... A famosa tática "Maomé"9.

Só tem uma coisinha, uma exigenciazinha boba... Precisa de OAB!

É isso camarada, O-A-B! Não, isso não é um absorvente feminino... É um pedacinho de plástico que te classifica como advogado. Como arrumar? É simples, é só fazer uma provinha com a matéria de TODO o seu curso.

Isso mesmo, eu disse TODO O CURSO!

...achou que ia se livrar dos debêntures e das enfiteuses? Pois é, a vida não é só feita de Alegações Finais, amigão.

E se você acha que vai se livrar disso simplesmente alegando que nunca vai advogar na área cível, pense novamente. Aliás, você é um malandro. É o tipo de cara que pediria aprovação compulsória em Matemática no colégio devido à difusão em larga escala de calculadoras a preços módicos10. O senhor é um fanfarrão!

Enfim, essa é a realidade do bacharel em direito: um cara que, em contraste com sua vida anterior, não tem mais emprego, não pode exercer a profissão pra qual estudou durante 5 longos anos (ou mais) de sua vida, não paga mais meia no cinema, não tem direito a passe escolar pra ônibus e metrô...

Como diria a inscrição nos portões infernais de Dante:

“Aqueles que aqui entrarem, percam as esperanças”

Então, pra você, que achou que fazendo direito iria sair da faculdade dirigindo um Aston Martin com uma loiraça do lado – e possivelmente uma morena e uma ruiva no banco de trás – ou, no caso das mulheres, que você seria a loira “tunada”11 no volante de um, e que sua vida se resumiria a praia, cerveja e muita curtição, sou forçado a lhe informar o seguinte:



Você caiu na pegadinha do direito! Ráaaaaaa!


(Se você não faz direito e por isso não entendeu, assista esse video curto que ele é bem explicativo)


1É fato conhecido que a caneca-média do universitário brasileiro contém, no mínimo, 500ml de volume, prorrogáveis por mais 500 – e certamente repetíveis por tantas vezes quanto sua carteira (e eventualmente, a de seus colegas) permitirem. Meio como a CPMF: já que o povo está pagando, manda descer mais uma!

2“Escravo” é um sinônimo para a expressão moderna “estagiário”, que em síntese significa “aquele que tira xerox a preços acessíveis”. Juridicamente ele é conhecido pelo termo “bem semovente”.

3Curiosamente, tais comunicados normalmente vêm acompanhados da contratação de uma grande remessa de novos semoventes, ávidos por demonstrar serviço “furando os olhos” dos seus colegas-competidores.

4“Ora, mas ele não tem OAB!”, vocês poderiam pensar... Sim, mas isso realmente importa? Tudo se resume a distribuição de trabalho e distribuição de dinheiro. O resto são meras formalidades para agradar o papel – formalidades que podem muito bem ser omitidas...

5Vulgarmente conhecido como “xerox e fórum”.

6Pelo menos, é o que eles dizem... com ênfase e tudo mais.

7Peraí, nós podemos fazer HCs! Quem quiser, estou montando uma empresa só de HCs: a “HC Moleza”.

8Se você se casar, troque tudo por “conseguir custear seus filhos e parte contrária sem recorrer (muito) ao dinheiro de agiotas...”

9“Se Maomé não vai até a montanha, a montanha vai até Maomé”. Agora, fiquem avisados: vocês vão ganhar bem “maomenos” fazendo isso...

10Já pensou em tentar seguir carreira criminal?

11A técnica da troca dos pneuzinhos por equivalentes menores e a inclusão de airbags duplos são opcionais populares entre as garotas bem-sucedidas no meio jurídico, e em certos locais, requisito essencial para a promoção no trabalho.

janeiro 04, 2008

Desejos da Alma

Passado o ano novo - e a minha conseqüente esbórnia gastronômica que me rendeu um quilo extra - retorno a postar meus textos nonsenses para qualquer louco que por eles se interesse.

Este é um pequeno poema que escrevi, e que retrata um pouco das raízes do meu subconciente. Mais que isso eu não digo...


Queria ser um boneco de posto
Balançar sem desgosto
Mirando as nuvens ao léu

Queria ser um anjo caído
Ter vivido e sofrido
As agruras do Céu

Queria ser um nobre guerreiro
Um valente escudeiro
Em busca do Santo Graal

Queria ser um homem disposto
Um arauto do esforço
Humano excepcional

Mas cá sou reles mortal
Boneco de pau
Concreto sem cal


Um idealista imoral

Autor: Jarbas Lima Alves da Silva

(Boneco de Posto, também conhecido como Boneco Biruta)