Bem-vindos, nobres espíritos!

Sintam-se em casa em minha humilde morada. Aqui vocês encontrarão alguns de meus loucos textos que ora lhes convido a ler e, se assim desejarem, comentar...

março 02, 2008

Republicação - A Flor Solitária

Motivo da republicação - Hoje tem show do Maiden, portanto todos os atos do dia estão voltados a este propósito. De qualquer forma, é quase um texto inédito, porque publiquei ele quando o blog ainda era um bebê e por isso teve pouca exposição.


Este é um pequeno texto que escrevi em homenagem ao aniversário de uma amiga. Para proteger sua privacidade, modifiquei aquilo que poderia ligar a história à ela. No mais, rendi uma pequena homenagem ao conto "Tristão e Isolda" pelo qual tenho um profundo apreço.


Certa vez, surgiu em meio aos Campos Floridos uma flor. Não era, no entanto, uma flor qualquer: era uma planta altiva, de pétalas frondosas e fragrância suave, porém armada com potentes espinhos em seu caule, prontos a espetar os incautos. Sua coloração azul contrastava com o verde-escuro de seu caule, dando um ar enigmático à tão singular obra da Natureza.

Não obstante, a flor se sentia solitária, pois havia nascido, por infortúnio do destino, em meio a um campo de lindas violetas. As outras flores, por desconhecerem planta como aquela, a consideravam inferior, e por isso a ignoravam por completo. Entristecida, a planta passava o dia a indagar o Destino: “Porque me puseste em meio a este local onde não sou bem vinda? Porque não sou bela como estas outras flores que me cercam? Porque, ó poderoso Destino, nasci tão diferente de meus pares?”.

Perto dali havia um pequeno vilarejo. Era costume dos habitantes locais se dirigirem aos campos para recolher flores. Estas eram usadas para externar algum sentimento que habitasse o espírito humano. Por este motivo, as flores, a quem a mãe natureza lhes dera como objetivo trazer a beleza à Criação, consideravam uma honra serem escolhidas por um humano para corporificarem seus muitas vezes inenarráveis, porém belos sentimentos.

A flor solitária observava com tristeza enquanto todas as outras flores eram colhidas, ao passo que ela apenas recebia olhares de desprezo dos humanos. “Mas que flor horrível!”, exclamavam alguns. “Nunca vi uma flor como essa... Melhor não arriscar. Sei que conseguirei o que desejo se levar alguma outra flor, que já sei que será apreciada”, diziam outros. Com resignação, a flor finalmente compreendeu que seu destino já estava traçado, e apenas a solidão eterna lhe aguardava.

Um certo dia, enquanto a Lua despontava altiva no firmamento, um jovem chamado Tristão entrou nos campos florais, aparentemente à procura de uma flor como os outros que o sucederam. Devido ao horário, as flores descansavam sob o véu noturno, exceto a flor solitária, cujas lágrimas silenciosas inundavam o campo com sua inaudível melodia. Tristão procurou, procurou, procurou... mas não parecia encontrar o que desejava. Finalmente, vencido pelo cansaço, o jovem se deitou e exclamou:

”Ó grande Diana, tu que me observas, escuta agora meu lamento! Infeliz o dia em que me apaixonei por Isolda... Amo-a mais do que tudo nesta vida, porém não sei como dizer à ela o que sinto. Por isso tenho procurado alguma flor que pudesse espelhar a pureza e a beleza do sentimento que me acomete e transmitir a mensagem à minha amada, mas apenas encontro flores mundanas, corriqueiras... Belas, certamente são. É certo que não hesitaria em entregar uma em sinal de respeito à quem admiro. Porém, o que sinto agora não é uma emoção comum ao ser humano, e por isso apenas uma flor especialmente bela poderia demonstrar o que realmente sinto. Ó infausto Destino que zomba de meu amor! Não existirá flor à altura do que sinto por minha amada?”

Diana, a deusa da Lua, escutou o lamento sincero do jovem apaixonado, e dele se apiedou. Em resposta à sua súplica, um feixe de luz partiu da Lua e foi repousar sobre a flor solitária, destacando-a em meio às inúmeras flores que ali estavam. Ao perceber a graça que lhe era concedida por Diana, o jovem se aproximou da misteriosa planta. Se abaixou, e observou com cuidado aquela flor que repousava em sua frente.

“Eis que encontro o que tanto procurava! Esta flor possuidora de uma beleza rara, que se destaca no meio de tantas outras, corporifica com perfeição o forte e singular amor que sinto pela minha amada! Uma planta rara, como o sentimento que nutro por ela; enigmática, como é o que sinto; audaciosa, por sobreviver em um meio hostil e inóspito - assim como o meu amor, que não encontra barreiras. Não é apenas uma planta, mas sim um presente dos deuses. Por isso, acredito ser este o motivo pelo qual até hoje nunca foste colhida: tua verdadeira beleza só pode ser apreciada por aqueles que nutrem um sentimento puro e forte, e não apenas lapsos emotivos banais que desaparecem com a mesma fugacidade com que surgem. Cem flores podem enfeitar um buquê que será entregue por mãos levianas, mas apenas uma única flor especial pode transmitir corretamente aquilo que sentem os verdadeiramente enamorados. Agradeço a ti, Diana, por esta bênção!“

E, ao proferir estas palavras, Tristão colheu com cuidado a flor, que já não mais se sentia sozinha. O jovem deu à ela o nome de “Rosa”, em virtude da graciosidade ostentada por esta.

No dia seguinte, Tristão se declarou à Isolda, lacrando suas palavras com a entrega da flor, que se tornou representação do amor imortal de ambos. Rosa estava feliz, pois alcançara a maior dentre as honras que o Destino poderia lhe reservar: se tornou a prova viva do amor verdadeiro, o mais sublime e belo sentimento humano que já existiu.


Autor: Jarbas Lima Alves da Silva

14 comentários:

Sofia disse...

Nossa, está bem produtivo, heim!!
Mt bom =]

Feänor disse...

Muito obrigado ^^

Henrique Mine disse...

muito bom mesmo...
parabens...
e como eu qeria ter lido este conto na primeira vez que voce publicou...
naum me arrependeria de conhecer seu blog a mais tempo
xD
http://palhacadasaparte.blogspot.com

Dih da Pâhzinha... disse...

Tenhu trauma de tristao e i solda por causa do colegio!!!

http://dihdusbeko.blogspot.com/

Gregory Vancher disse...

Incrível! Muito bom o seu texto! Muito bom mesmo! (estou meio sem palavras, desculpe)

Gostei muito do seu texto e do blog também (além do layout, gosto de lobos).
Já havia lido vários textos sobre flores, amores e coisas do gênero. Mas nunca vi um escrito tão passionalmente sem perder a suavidade.


http://theothersideofthemask.blogspot.com/

Itallo Fernandes disse...

muito bom o texto..
Parabens pela publicaçao..!
o blog ta bem legal..

http://toliveintensely.blogspot.com/

B. disse...

Nossa;..adorei seu blog.
Sempre que puder venho te visitar, viu??

B.
www.recantocativo.blogspot.com

Frank Morgan disse...

Parabéns amigo,
bem criativo a postagem,produtividade sempre.

Abraços e visite:
http://polvoloko.blogspot.com/

Jeff McFly disse...

Cara,
o texo tá bom. bem escrito e de fácil compreensão.
parabéns.

Lalo Oliveira disse...

Formidável, meu amigo, bonito demais!
Porém, muito previsível o final.

Ah, quantas flores não discriminamos, e quantas não vezes somos discriminados como certas flores, no caminhar dos dias?! O que fazer, senão nos protegermos com espinhos?

Abraço!

Siegrfried disse...

Gostei bastante!
Parabéns!

dudalak disse...

olaa
mto lindo esse seu texto
parabeens
continue assim!!!
desculpa a demora, mas internet de pobre é fogo, é lenta e toda hora dá erro
bjoOs

Isabela disse...

Ótimas escolhas vocabulares :D Sofisticado, porém simples e coeso! Só tiraria um "altiva" de lá, mas só...

O enredo é interessante, porque, apesar de não ser surpreendente, reflete uma característica da vida, de a beleza ser subjetiva.

Não sou da época em que pediam Tristão e Isolda para o vestibular, mas tenho vontade de ler. Parece tão romântico!

E tenho inveja de todos aqueles que foram no show ! humpf!

HenriqueM disse...

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http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=45958649